Autonomia, Sucesso e Afecto são as ambições e expectativas universais dos jovens urbanos portugueses, assim o indicam os resultados do estudo que a Novadir está agora a apresentar ao mercado.
Autonomia/Segurança financeira (emprego, dinheiro), Sucesso/Realização (académica, profissional) e Afecto/Segurança afectiva (casamento, filhos, amor, amigos, família de origem), são as ambições e expectativas universais dos jovens urbanos portugueses.
Sobretudo nos mais novos, as aspirações revelam-se muito normativas, até mesmo algo conservadoras, e predominantemente auto-centradas; raramente extravasam para áreas de intervenção social/política, ou de enriquecimento pessoal para além da área profissional.
Os jovens adolescentes não exprimem nas suas ambições de futuro o espírito utópico e idealista que está no seu 'genoma' etário (o que se verifica, junto de alguns, é antes uma forte dose de irrealismo fantasista mais característico da infância, que se expressa numa acentuada dissonância entre atitudes e comportamentos face ao estudo - irresponsabilidade, desempenho escolar medíocre - e expectativas elevadas de sucesso e realização profissional, inspiradas em figuras do star system).
As principais forças estruturadoras das aspirações dos jovens parecem ser: insegurança/instabilidade social e económica - foco no desejo de segurança; perda de valores tradicionais - que parecem querer recuperar, como a família tradicional; valores de materialismo, individualismo, consumismo - dos quais estão 'docemente prisioneiros'; fenómeno de 'inversão de poder' (poder material e simbólico muitas vezes superior ao dos adultos/pais) - um poder que lhes inibe o desejo reformador característico da adolescência (desejo de mudar o mundo, de acordo com o seu espírito idealista e partindo duma realidade insatisfatória).
Os mais velhos exprimem com intensidade um desejo de equilíbrio entre trabalho, família (muitos mantêm o desejo de ter filhos e de ter tempo para eles) e lazer/hobbies. Contudo para alguns o investimento profissional é a grande prioridade a curto/médio prazo - o desejo de evolução, reconhecimento e sucesso são motivações fortes e sobrepõem-se ao desejo de ter filhos. Para outros ainda, a aspiração mais premente é o leaving home - a saída de casa dos pais e a conquista de um espaço próprio representa a desejada autonomia integral, não só financeira, mas também física e psicológica. Não obstante estas ambições e expectativas expressas, há ainda um forte marcador de algum "acomodamento".
Neste segmento etário ganham maior expressão desejos e aspirações nas áreas da ética/valores e do envolvimento social, embora se mantenham francamente minoritários. Surgem ainda com alguma expressão ambições e desejos na área da expressão artística, que assumem uma importância particular no âmbito da realização pessoal de quem os exprime.
Estas conclusões são apenas uma pequena e simplificada amostra das dimensões e aspectos que compõem o retrato psico-sociológico dos jovens de hoje analisado pela Novadir. Contacte-nos se deseja obter mais informações sobre este estudo.
Sociedade Digital: (des)Encontros nas Relações Interpessoais
Local: Pombal Data: 18 Abril 2009
Descrição
Vivemos na era do “Choque Tecnológico”, da Internet Wireless e dos telemóveis, em que tudo parece estar à distância de um clique, incluindo a forma como as pessoas se “encontram” e comunicam. Mas o que mudou afinal? Quais as oportunidades e riscos subjacentes ao uso e abuso de salas de chat como Messenger, Skype, Hi5, assim como envios massivos de SMS e MMS? Será que devemos limitar o uso destes recursos por crianças e jovens? A iniciativa “Sociedade Digital: (des)Encontros nas Relações Interpessoais” surge da necessidade cívica de abordar o inevitável poder do virtual nas nossas vidas. São propostas quatro mesas de trabalho. Numa primeira mesa, será feita uma caracterização da sociedade do “teclar” e do perfil de utilizadores das novas tecnologias em Portugal. Num segundo momento, falar-se-á sobre Messenger, Hi5, SMS, enquanto se discutirão eventuais novos conceitos de Namoro e de Amizade, e procurar-se-ão minimizar os efeitos intensos do “choque tecnológico” na vida familiar. Em seguida, serão desenvolvidos os aspectos associados às Cyberpatologias, nomeadamente a apresentação dos sinais comportamentais subjacentes à Ciberdependência, a criminalidade sexual online na perspectiva da polícia judiciária, o suicídio promovido pela internet e a análise dos efeitos dos videojogos na agressividade interpessoal. Na última mesa, serão apresentadas formas de promover a segurança online, assim como modos de utilização positiva dos recursos tecnológicos no processo ensino-aprendizagem
Programa
9.00 ABERTURA DO SECRETARIADO
9.30 SESSÃO DE ABERTURA Presidente da Câmara Municipal de Pombal Representante do Centro de Saúde de Pombal Representante da Confederação Distrital de Associações de Pais Representante da Direcção Regional de Educação do Centro Representante da Caminhos, Organização
9.45 A SOCIEDADE DO TECLAR Que sociedade é esta?, Reginaldo Rodrigues de Almeida, Jornalista e Professor Universitário Perfil dos utilizadores de internet em Portugal, João Fernandes, Novabase Moderadora: Andreia Azevedo, CAMINHOS
11.00 PAUSA PARA CAFÉ
11.20 MUDANÇAS NO SOFTWARE RELACIONAL Choque Tecnológico na Família, Ana Paula Relvas, Terapeuta Familiar, FPCEUC Conviver com o virtual na escola, Helena Damião, Especialista em Ciências da Educação, FPCEUC MSN, HI5, SMS: novas formas de relacionamento, Mário Jorge Loureiro, Pedopsiquiatra, Hospital Pediátrico de Coimbra O amor no virtual é…, Marta Crawford, Psicóloga, Especialista em Sexologia Clínica Moderadora: Teresa Mendes, CAMINHOS
13.00 ALMOÇO
14.30 CYBERPATOLOGIAS Ciberdependência: não conseguir estar off!,Luís Patrício, Psiquiatra, IDT Criminalidade sexual online, Camilo Oliveira, Inspector da Polícia Judiciária Videojogos e violência interpessoal: que relação?, Sofia Arriaga, Psicóloga Social, ISCTE A Internet e o Suicídio, Marta Roque, Psiquiatra, HUC Moderadora: Elsa Rodrigues, CAMINHOS
16.00 PAUSA PARA CAFÉ
16.20 EDUCAR PARA AS NOVAS TECNOLOGIAS “Magalhães” para Pais, Tito de Morais, MiúdosSegurosNa.Net O Second Life como plataforma de aprendizagem, Paulo Frias, UP Ensino On Line na Web 2.0, Vitor Santos, Microsoft Portugal Moderadora: Maura Pedrosa, CAMINHOS
17.45 SESSÃO DE ENCERRAMENTO
Local
Pombal, Auditório do Teatro-Cine
Horário
Das 9h às 18h
Data
18 Abril 2009
Valor da Inscrição
15 euros
Modalidades de inscrição
Pelo Correio: Enviar ficha de inscrição para Caminhos Lda. Avenida Heróis do Ultramar, 89, r/c3100-462 Pombal
Pagamento por transferência bancária NIB: 0046 0206 18320300179 10, Banco Popular Requere-se envio de comprovativo da mesma (que poderá ser electrónico)
Pagamento por cheque À ordem de Caminhos Lda. Enviar cheque junto com a Inscrição.
Pagamento por vale postal Para Caminhos Lda. Avenida Heróis do Ultramar, 89, r/c3100-462 Pombal
Um estudo realizado nos Estados Unidos indica que alguns casais conseguem se manter apaixonados mesmo depois décadas de união, diz o Globo.
Com a ajuda de exames de tomografia, cientistas da Universidade de Stony Brooks, em Nova Iorque, analisaram a actividade cerebral de casais que estão juntos há mais de 20 anos.
Eles descobriram que 10%, ao verem fotos dos seus parceiros, mostraram as mesmas reações químicas que os casais em início de romance.
Pesquisas anteriores sugeriam que a paixão e o desejo sexual de um casal começam a diminuir por volta dos 15 meses de relacionamento e chegam a desaparecer depois de dez anos.
«Cisnes»
"Os nossos resultados vão contra essa visão tradicional, mas temos a certeza de que o que conseguimos observar é real", disse o psicólogo Arthur Aron, um dos autores do estudo.
Segundo os pesquisadores, quando os casais de longa data viam fotos de seus parceiros, os seus cérebros indicavam um fluxo maior de dopamina, o neurotransmissor responsável pela sensação de prazer.
Para os cientistas, a descoberta indica que alguns elementos da paixão amadurecem, permitindo que casais de longa data desfrutem do que chamam de "companheirismo intenso e vivacidade sexual".
Os investigadores disseram que esses casais têm o mesmo "mapa amoroso" cerebral que os animais que mantêm os mesmos parceiros por toda a vida, como os cisnes, os arganazes e as raposas cinzentas.
No popular drama da HBO "Big Love", Bill Paxton faz o papel de um homem com três esposas, que moram uma ao lado da outra e dividem um quintal. É uma série de ficção, mas para muita gente a poligamia é realidade. A Suprema Corte de Utah aprovou a proibição da poligamia no Estado e um líder polígamo de uma igreja, Warren Jeffs, foi preso após estar na lista dos 10 fugitivos mais procurados do FBI por fugir de processos de acusação, incluindo conduta sexual com menor de idade.
Atualmente, a maioria dos ocidentais encara a monogamia como uma forma "normal" de casamento. Mas ao que se constatou, práticas estritamente monogâmicas são minoria. Na verdade, culturas que praticam alguma forma de poligamia excedem, em grande número, as culturas monogâmicas. Alguns críticos sugerem que a prática ocidental de freqüentes divórcios e seguidos casamentos representa uma forma de poligamia. No entanto, a maioria dos antropólogos a considera como monogamia em série, pois ninguém se casa com mais de uma pessoa ao mesmo tempo.
Mais sobre poligamia
A poliandria é rara, mas sociedades que aceitam tanto múltiplos maridos quanto múltiplas esposas são ainda mais raras. A tribo Zo'é, da Amazônia, é um exemplo desta prática.
O povo Nyinba, do Nepal, pratica a poliandria fraterna. Poliandria é uma forma de poligamia em que uma mulher tem vários maridos. Na cultura Nyinbian, quando uma mulher se casa com um homem, ela também se casa com todos os seus irmãos. Todos os irmãos têm igual acesso sexual à esposa e toda a família cuida das crianças, embora reconheçam cada irmão como pai de uma determinada criança. Este tipo de estrutura matrimonial concentra a riqueza e recursos de todos os irmãos dentro da família e também as terras e riquezas de seus pais.
Por outro lado, a poligamia contempla homens que têm acesso a mais dinheiro e recursos do que outros. É preciso muito trabalho e dinheiro para sustentar várias esposas e filhos. Em termos biológicos, este homem é uma ótima opção para reprodução e transmissão de genes para a próxima geração, que, provavelmente, também seria bem-sucedida. Um homem pode ter muitas crianças em pouco tempo, enquanto uma mulher é limitada a uma gravidez a cada nove meses. Se o homem de sucesso tiver muitas mulheres, ele pode transmitir seus genes mais freqüentemente. Isto é uma vantagem em sociedades em que a reprodução rápida e freqüente é vital para a sobrevivência. A doutrina judia antiga encorajava a poligamia porque os judeus eram minoria e precisavam aumentar seus números rapidamente. Atualmente, alguns grupos de judeus ortodoxos defendem a poligamia, e alguns estudiosos acreditam que o Talmude contém passagens sugerindo a tolerância e até mesmo encorajando a poligamia.
No Brasil, o regime de casamento é monogâmico e não poligâmico. Mas, pela primeira vez na história brasileira, a poligamia foi reconhecida judicialmente, em 2005, no caso que envolveu o interesse de três viúvas que - pelas "leis dos silvícolas" - casaram, quase ao mesmo tempo, com o mesmo homem, o índio Parara Waiãpi. As irmãs Massaupe, Anã e Sororo, todas filhas do cacique Kumaré Waiãpi eram as esposas de Parara e dessas relações nasceram quatro filhos. Em 2005, quase cinco anos depois do falecimento do índio Parara, a Justiça Federal no Amapá reconheceu que as três viúvas têm direito à imediata liberação do saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, depositado em nome do índio e à pensão por morte, cujo valor deve ser dividido entre elas e os filhos.
Tradições islâmicas discutem diretamente a poligamia. O Corão determina que um homem pode ter até 4 esposas, mas somente se puder sustentá-las e tratá-las igualmente. Muitas sociedades islâmicas continuam a permitir a poligamia, mas normalmente apenas os homens de maior poder aquisitivo conseguem dar conta de várias mulheres. A ocidentalização tem levado muitos jovens muçulmanos a encarar a poligamia como fora de moda.
No Vietnã, a poligamia é ilegal, mas existe uma razão prática para isso: décadas de guerra desgastaram seriamente a população masculina. A poligamia também era comum na China antes do Confucionismo, que apoiava a prática, mas acabou caindo em desuso. Muitas tribos africanas, tribos indígenas americanas e celtas pré-cristãos praticavam a poligamia, normalmente sem restrições conservadoras em relação aos aspectos sexuais que caracterizam a poligamia dos mórmons.
A seguir, daremos uma olhada nos mórmons, na poligamia e no sistema legal americano.
Poliamor, bigamia e "swingers"
A poligamia é normalmente confundida com poliamor e bigamia. A bigamia ocorre quando um homem se casa ilegalmente com mais de uma mulher. Por exemplo, ele pode se casar com uma segunda mulher antes de concluir seu divórcio. Em raros casos, homens têm vida dupla, casando com duas mulheres e sustentando duas famílias, sem que uma saiba a respeito da outra. Praticar poligamia em um país com leis que a proíbe é tecnicamente bigamia.
Poliamor é o conceito de estar apaixonado por mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Polígamos praticam poliamor, mas poliamoristas não necessariamente praticam poligamia. Podem viver de forma que vários adultos formem uma família, dividam os gastos, cuidem das crianças e façam sexo uns com os outros. No entanto, normalmente não tentam formar um casamento de acordo com a lei. Existe uma linha tênue entre uma família poliamorosa e uma poligamista. Poliamoristas tendem a ter visão comunitária e liberal, enquanto polígamos normalmente vêm de ambientes de religiões conservadoras.
Swingers são pessoas casadas que praticam sexo abertamente com outras pessoas, além de seus parceiros. Normalmente não entram em relacionamentos duradouros, além de amizades, nem mesmo formam estruturas familiares: o foco é somente no sexo.
Relações em "V" e em triângulo / Poliamor é um novo modelo de relação
Relações em "V" e em triângulo
00h30m
"Tento não esconder nada a ninguém. É a forma mais eficaz de sermos aceites e respeitados." Álvaro Maia assume, com uma abertura desconcertante, um estilo de vida muito pouco convencional. Mas nada é convencional no percurso deste homem de 38 anos.
Da geração beat ao movimento hippy, do anarquismo à ecologia e ao vegetarianismo, muitas são as influências que integrou no seu percurso. O poliamor surgiu naturalmente quando percebeu que, depois de a sua namorada de longos anos o ter deixado, sentia-se "estranhamente feliz". Foi o fim da monogamia.
Pouco tempo depois, ouviu falar da ecocomunidade Tamera, no Alentejo, e foi lá que descobriu o poliamor. Desde então, já teve várias parceiras e, actualmente, vive com a Caren, uma alemã de quem tem uma filha de dois anos. Caren "destronou" a holandesa Petra da condição de parceira principal, o que não significa que a relação tenha terminado.
Com Petra, Álvaro tem um filho, que nasceu 15 dias antes da menina que gerou com Caren. Nos primeiros tempos, a situação não foi pacífica, mas agora os três têm uma boa relação e a hipótese de Petra deixar Amesterdão para passar a viver, em Sintra, com Álvaro e Caren e as três crianças (duas da alemã e uma da holandesa) está a ser ponderada. A acontecer, será um triângulo aberto (os três elementos relacionam-se intimamente com os outros dois e têm liberdade para viverem relacionamentos com pessoas exteriores à rede).
A família de Álvaro bem como os moradores da aldeia de Penedo - Espírito Santo sabem do seu estilo pouco convencional de vida. E aceitam. Álvaro não esconde que não foi fácil aos seus pais aprovarem o modelo de conjugalidade que escolheu, mas acabaram por compreender e desistiram de se opor às escolhas de Álvaro. Já aconteceu aparecer com duas mulheres nas reuniões familiares e a situação foi pacífica. "Ao longo da vida, sempre assumi as minhas escolhas, mesmo quando não eram convencionais. Não escondo quem sou."
Relações múltiplas, simultâneas e consentidas. Não é só sexo. Sexo e afecto. Amores múltiplos. Poliamor. Um conceito novo para uma prática que sempre terá existido e que desafia um dos tabus maiores da nossa sociedade: a monogamia.
Uma nova forma de conjugalidade, sem exclusividade afectiva e sexual e com igualdade de direitos. O que significa que não há lugar para traições, ilusões ou infidelidades. Porque ninguém é enganado.
Não se trata de apenas sexo, como acontece com o swinging ou a infidelidade sexual consentida, em que os envolvimentos emocionais estão proibidos. No poliamor (ou polyamory), a afectividade é a dimensão mais importante.
"O poliamor retira o peso excessivo ao sexo", defende Ana ou Antidote como é conhecida no activismo do poliamor ou da não monogamia responsável. E acrescenta: "O mandamento da monogamia, da exclusividade, é substituído pelo mandamento da honestidade: não pode haver ninguém enganado".
Difere também da poligamia - prática em que um dos cônjuges (normalmente o homem) tem vários parceiros - pela democratização dos direitos. "A não fidelidade masculina era socialmente aceite, enquanto a infidelidade feminina sempre foi, e ainda é nalgumas culturas, severamente punida. O poliamor é uma estratégia de democratização das relações íntimas", sublinha João Oliveira, sociólogo e docente do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (Lisboa).
Não se sabe quantos poliamorosos existem em Portugal. A introdução do conceito, no nosso país, é relativamente recente. A mailing list poly_portugal conta com cerca de 60 participantes, número que não traduz a real dimensão da comunidade de poliamorosos em Portugal, explica Ana, uma das moderadoras do fórum.
Lara criou, há cinco anos, o site poliamor.pt, que recebe cerca de 170 visitas por mês. Mais recentemente, começaram a organizar-se, em Lisboa, encontros semanais de pessoas interessadas nesse estilo de vida.
O facto de agora começar a ser divulgado um conceito que traduz o que muitos já sentiam como sendo a sua forma de estar nos relacionamentos, mas não sabiam como designar, pode "facilitar a que apareçam mais pessoas que se identifiquem com essa prática", considera o sociólogo.
Neste modelo, não são os papéis de género que organizam a relação nem é a tradição que regula o que é ou não permitido. "É uma proposta com o objectivo de libertar as pessoas de formas de relacionamento que as limitam", sublinha o investigador.
Para Gabriela Moita, psicóloga clínica especializada em sexualidade e docente universitária, "o ser humano não é monogâmico ou polígamo por natureza". "É a socialização que nos ensina a forma de pensar e seleccionar os sentimentos, levando-nos a reprimir ou a permitir certo tipo de emoções", acrescenta.
"Quase todas as pessoas já sentiram emoções por várias pessoas ao mesmo tempo. Mas, o que normalmente acontece é a pessoa colocar-se em causa, considerando que há algo de errado consigo ou com a relação que tem. E, como é socialmente condenado, acaba por escolher um dos sentimentos", explica a psicóloga.
Este é o comportamento mais habitual, o que não significa que seja o mais saudável. "Tudo o que traga liberdade aumenta a saúde mental", frisa Gabriela Moita, acrescentando que o que causa problemas é o "amor dependente". Ou seja, "esperar que o outro nos complete e seja tudo para nós".
Trata-se, porém, de uma opção que não é fácil de assumir. À excepção de um caso, todas as pessoas que falaram ao JN solicitaram o anonimato. Por receio de sanções familiares, sociais e até profissionais. Colocar em causa a monogamia é encarado como um ataque à instituição do casamento e espoleta reacções extremas.
Mas será que as novas formas de conjugalidade são uma ameaça social? "O poliamor é uma alternativa de estilo de vida, um outro modelo de relacionamento. Não ameaça nem substitui o que já existe", defende o sociólogo João Oliveira.
onde na procura do Outro encontramos uma assimetria entre as expectativas de afecto e o retorno obtido (tal e qual uma economia dos afectos), onde muitos nós procuram compensar isso com a descendência biológica. De facto a mesma nada pede a não ser o nosso afecto e retribui-nos de igual modo.. pelo menos durante um certo período de tempo. Mas na essência estamos perante o deslocamento do objecto do verdadeiro afecto que pretendemos quando chegamos à vida adulta. Nada mais imoral, injusto e errado existe que não isto.... as consequências, inclusivé como bem estar espiritual colectivo, ainda estão para vir.
Desde o início da História os Romanos cantaram, louvaram, valorizaram o amor. O amor está no centro das suas preocupações, tal como está no centro do edifício dos costumes e da vida social. Antes de tudo ligado ao sagrado, dissocia-se para se tornar instituição, antes de se diversificar nas suas práticas e nas suas representações, no Séc. I a.C. É então que se torna verdadeiramente livre, e que os poetas se emparelham para cantar todas as suas nuances. É para muitos crucial em certos destinos políticos - pensemos em César, Cleopatra, Marco António, ou Tito e Berenice -, e para outros na degradação do Império - recordemo-nos de Messalina, Nero, e outros...
Então vamos a ela, tal como os tribunais gostam de tratar os afectos:
Semana de 3 a 10 de Fevereiro (onde incluiu 2 dias de férias do Carnaval)
Tempo em deslocações para estar com a minha filha: 7,1% Tempo acordado com a minha filha: 40,5% (retiradas as horas de sono) Tempo despendido a trabalhar: 11,9% Tempo de sono: 33,3%
No mês de Janeiro todo tive:
Tempo em deslocações para estar com a minha filha: 1,6% Tempo acordado com a minha filha: 9,1% (retiradas as horas de sono) Tempo despendido a trabalhar: 26,9% Tempo de sono: 28,2%
Ser Pai (homem ou mulher) não é sentir (que é mais do que um mero discurso) que os nossos filhos são nossa propriedade, não é fazer da sua relação afectiva com os seus filhos uma competição com o outro progenitor, não é sentir e achar que tem poderes especiais sobre a criança porque se tem uma dada característica biológica (como parir), não é centrar toda a sua vida em função de filhos ao ponto de achar que todos os outros suportam a ausência do convívio com os mesmos e ele (o progenitor guardião) não, não é não é usar a força (que infelizmente ainda é conferida pela Lei e pelo sistema judicial) como forma de fazer valer a falta de argumentos, de clarividência, de Conhecimento e de verdadeiro interesse pelo bem estar da criança, não é achar que não só existe uma parte para tomar decisões e a outra parte deve ser alienada, pois a incapacidade de diálogo por falta de argumentação, conhecimento e reflexão é-lhe intrínseca, não é pensar e agir como se as pequenas coisas do quotidiano fossem muito importantes para um dos pais e nada importante para o outro, não é fantasiar de forma perjurativa em relação à vida do outro pai como forma de tentar legitimar o comportamento moralmente errado que se tem.... isto não é ser Pai! significa que a criança, o filho ou filha, crescem na ausência de um progenitor e no desconforto da convivência do outro, pois a tomada de consciência da existência de um lado e outro (como se de uma guerra se tratasse) e da necessidade de segurança com uma das partes, faz com que no intimo da criança a distância sobre as duas partes se materialize, tornando-a num adulto inseguro e com comportamentos disfuncionais. Até se pode viver com os 2 progenitores na mesma habitação e a criança criar distância entre os 2 progenitores manifestando em determinadas fases da vida, em especial aquando da reprodução de comportamentos associados à parentalidade, esse mesmo comportamento disfuncional que aprendeu a crescer com ele.... mais do que um problema jurídico, temos hoje um problema de saúde mental, onde a negação da vida em comunidade de forma mais harmoniosa torna-se numa estranha forma de vida....
Ainda que para alguns o pai devia ser eliminado da equação dos afectos aquando das separações, aqui este pai quer fazer valer o direito da sua filha (que ainda não tem idade para os reinvidicar) a conviver com o seu pai, ter acesso aos afectos dele e com isso tornar-se uma melhor e mais sã pessoa. Quem achar o contrário não percebe absolutamente nada de Psicologia, Pedagogia, Sociologia e acima de tudo, de afectos.
Mas voltemos a razão do meu post. Como alguns sabem, estou impedido de conviver com a minha filha diariamente, conforme o Acordo de Regulação de Poder Paternal vigente. Resta-me a triste boa vontade da outra parte em cumprir o fim de semana (como se eu como pai moralmente tenha que mendigar o quer que seja). Ora, cumprindo o fim-de-semana e tendo mudado de residência sem qualquer acordo voluntário ou sem qualquer decisão judicial faz com que eu para poder estar com a minha filha, visto que a sua mãe recusa-se a realizar qualquer viagem, tenha que fazer 600 km (pelo menos, pois não fiz 4 viagens desta vez) para poder garantir o convívio da minha filha comigo. Depois de 6 horas de formação, + 2 ou 3 para a minha empresa e + 3 horas de viagem estou ao fim do dia com a minha filha. Um esforço fisico negligenciável concerteza para muitos. Junta-se a isso o facto de ser obrigado a cumprir o pagamento da pensão de alimentos independentemente se tenha estes custos adicionais de deslocação pela mudança ilegal de residência (cerca de 180 €).
Findo o fim-de-semana tive que fazer o caminho de volta, sendo que o mesmo fim-de-semana exigiu um esforço redobrado da minha parte, pois a minha filha não me largou 1 minuto, continuando a demonstrar (felizmente) a excelente relação afectiva que tem comigo.
Ora, um pai que queira estar 1 dia e meio com a sua filha (já que a lei nem lhe permite à partida a guarda partilhada) tem que fazer um esforço fisico non stop de 72h, sendo que na 2ªf junta-se um dia excepcional na minha vida profissional, onde dou nada mais nada menos do que 12horas de formação seguídas. Coisa pouca...
Dirão alguns: mas compensa tudo com os afectos, com o convívio com a minha filha. Direi eu, claro! isso nem se põe em causa. O que ponho em causa é que um dos progenitores tenha que mudar toda a sua vida em função da arbitrariedade da outra parte, sem qualquer tentativa de diálogo, sem qualquer compreensão do outro, bom senso na tomada das decisões e o mínimo de espírito humanista na sua vida.
O irónico disto tudo é que sempre assumir as minhas responsabilidades, o meu espírito de sacrificio pela minha filha (e ai de quem diga o contrário). Não houve um único dia em que não a fosse buscar de manhã e tomar o pequeno almoço com ela e leva-la à escola. Excepciona-se os períodos que por motivos profissionais não me encontrava na residência. Quantas mulheres encontram um homem que queira assumir tantas responsabilidades em relação aos filhos? parece-me que qualquer condenação do meu comportamento significa perpetuar os valores e comportamentos machistas, que mais não são do que uma distribuição desigual dos papeis dos géneros nas sociedades, em especial na ocidental, e uma forma de repressão sobre as mulheres.