Sociedade Digital: (des)Encontros nas Relações Interpessoais
Local: Pombal Data: 18 Abril 2009
Descrição
Vivemos na era do “Choque Tecnológico”, da Internet Wireless e dos telemóveis, em que tudo parece estar à distância de um clique, incluindo a forma como as pessoas se “encontram” e comunicam. Mas o que mudou afinal? Quais as oportunidades e riscos subjacentes ao uso e abuso de salas de chat como Messenger, Skype, Hi5, assim como envios massivos de SMS e MMS? Será que devemos limitar o uso destes recursos por crianças e jovens? A iniciativa “Sociedade Digital: (des)Encontros nas Relações Interpessoais” surge da necessidade cívica de abordar o inevitável poder do virtual nas nossas vidas. São propostas quatro mesas de trabalho. Numa primeira mesa, será feita uma caracterização da sociedade do “teclar” e do perfil de utilizadores das novas tecnologias em Portugal. Num segundo momento, falar-se-á sobre Messenger, Hi5, SMS, enquanto se discutirão eventuais novos conceitos de Namoro e de Amizade, e procurar-se-ão minimizar os efeitos intensos do “choque tecnológico” na vida familiar. Em seguida, serão desenvolvidos os aspectos associados às Cyberpatologias, nomeadamente a apresentação dos sinais comportamentais subjacentes à Ciberdependência, a criminalidade sexual online na perspectiva da polícia judiciária, o suicídio promovido pela internet e a análise dos efeitos dos videojogos na agressividade interpessoal. Na última mesa, serão apresentadas formas de promover a segurança online, assim como modos de utilização positiva dos recursos tecnológicos no processo ensino-aprendizagem
Programa
9.00 ABERTURA DO SECRETARIADO
9.30 SESSÃO DE ABERTURA Presidente da Câmara Municipal de Pombal Representante do Centro de Saúde de Pombal Representante da Confederação Distrital de Associações de Pais Representante da Direcção Regional de Educação do Centro Representante da Caminhos, Organização
9.45 A SOCIEDADE DO TECLAR Que sociedade é esta?, Reginaldo Rodrigues de Almeida, Jornalista e Professor Universitário Perfil dos utilizadores de internet em Portugal, João Fernandes, Novabase Moderadora: Andreia Azevedo, CAMINHOS
11.00 PAUSA PARA CAFÉ
11.20 MUDANÇAS NO SOFTWARE RELACIONAL Choque Tecnológico na Família, Ana Paula Relvas, Terapeuta Familiar, FPCEUC Conviver com o virtual na escola, Helena Damião, Especialista em Ciências da Educação, FPCEUC MSN, HI5, SMS: novas formas de relacionamento, Mário Jorge Loureiro, Pedopsiquiatra, Hospital Pediátrico de Coimbra O amor no virtual é…, Marta Crawford, Psicóloga, Especialista em Sexologia Clínica Moderadora: Teresa Mendes, CAMINHOS
13.00 ALMOÇO
14.30 CYBERPATOLOGIAS Ciberdependência: não conseguir estar off!,Luís Patrício, Psiquiatra, IDT Criminalidade sexual online, Camilo Oliveira, Inspector da Polícia Judiciária Videojogos e violência interpessoal: que relação?, Sofia Arriaga, Psicóloga Social, ISCTE A Internet e o Suicídio, Marta Roque, Psiquiatra, HUC Moderadora: Elsa Rodrigues, CAMINHOS
16.00 PAUSA PARA CAFÉ
16.20 EDUCAR PARA AS NOVAS TECNOLOGIAS “Magalhães” para Pais, Tito de Morais, MiúdosSegurosNa.Net O Second Life como plataforma de aprendizagem, Paulo Frias, UP Ensino On Line na Web 2.0, Vitor Santos, Microsoft Portugal Moderadora: Maura Pedrosa, CAMINHOS
17.45 SESSÃO DE ENCERRAMENTO
Local
Pombal, Auditório do Teatro-Cine
Horário
Das 9h às 18h
Data
18 Abril 2009
Valor da Inscrição
15 euros
Modalidades de inscrição
Pelo Correio: Enviar ficha de inscrição para Caminhos Lda. Avenida Heróis do Ultramar, 89, r/c3100-462 Pombal
Pagamento por transferência bancária NIB: 0046 0206 18320300179 10, Banco Popular Requere-se envio de comprovativo da mesma (que poderá ser electrónico)
Pagamento por cheque À ordem de Caminhos Lda. Enviar cheque junto com a Inscrição.
Pagamento por vale postal Para Caminhos Lda. Avenida Heróis do Ultramar, 89, r/c3100-462 Pombal
Relações em "V" e em triângulo / Poliamor é um novo modelo de relação
Relações em "V" e em triângulo
00h30m
"Tento não esconder nada a ninguém. É a forma mais eficaz de sermos aceites e respeitados." Álvaro Maia assume, com uma abertura desconcertante, um estilo de vida muito pouco convencional. Mas nada é convencional no percurso deste homem de 38 anos.
Da geração beat ao movimento hippy, do anarquismo à ecologia e ao vegetarianismo, muitas são as influências que integrou no seu percurso. O poliamor surgiu naturalmente quando percebeu que, depois de a sua namorada de longos anos o ter deixado, sentia-se "estranhamente feliz". Foi o fim da monogamia.
Pouco tempo depois, ouviu falar da ecocomunidade Tamera, no Alentejo, e foi lá que descobriu o poliamor. Desde então, já teve várias parceiras e, actualmente, vive com a Caren, uma alemã de quem tem uma filha de dois anos. Caren "destronou" a holandesa Petra da condição de parceira principal, o que não significa que a relação tenha terminado.
Com Petra, Álvaro tem um filho, que nasceu 15 dias antes da menina que gerou com Caren. Nos primeiros tempos, a situação não foi pacífica, mas agora os três têm uma boa relação e a hipótese de Petra deixar Amesterdão para passar a viver, em Sintra, com Álvaro e Caren e as três crianças (duas da alemã e uma da holandesa) está a ser ponderada. A acontecer, será um triângulo aberto (os três elementos relacionam-se intimamente com os outros dois e têm liberdade para viverem relacionamentos com pessoas exteriores à rede).
A família de Álvaro bem como os moradores da aldeia de Penedo - Espírito Santo sabem do seu estilo pouco convencional de vida. E aceitam. Álvaro não esconde que não foi fácil aos seus pais aprovarem o modelo de conjugalidade que escolheu, mas acabaram por compreender e desistiram de se opor às escolhas de Álvaro. Já aconteceu aparecer com duas mulheres nas reuniões familiares e a situação foi pacífica. "Ao longo da vida, sempre assumi as minhas escolhas, mesmo quando não eram convencionais. Não escondo quem sou."
Relações múltiplas, simultâneas e consentidas. Não é só sexo. Sexo e afecto. Amores múltiplos. Poliamor. Um conceito novo para uma prática que sempre terá existido e que desafia um dos tabus maiores da nossa sociedade: a monogamia.
Uma nova forma de conjugalidade, sem exclusividade afectiva e sexual e com igualdade de direitos. O que significa que não há lugar para traições, ilusões ou infidelidades. Porque ninguém é enganado.
Não se trata de apenas sexo, como acontece com o swinging ou a infidelidade sexual consentida, em que os envolvimentos emocionais estão proibidos. No poliamor (ou polyamory), a afectividade é a dimensão mais importante.
"O poliamor retira o peso excessivo ao sexo", defende Ana ou Antidote como é conhecida no activismo do poliamor ou da não monogamia responsável. E acrescenta: "O mandamento da monogamia, da exclusividade, é substituído pelo mandamento da honestidade: não pode haver ninguém enganado".
Difere também da poligamia - prática em que um dos cônjuges (normalmente o homem) tem vários parceiros - pela democratização dos direitos. "A não fidelidade masculina era socialmente aceite, enquanto a infidelidade feminina sempre foi, e ainda é nalgumas culturas, severamente punida. O poliamor é uma estratégia de democratização das relações íntimas", sublinha João Oliveira, sociólogo e docente do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (Lisboa).
Não se sabe quantos poliamorosos existem em Portugal. A introdução do conceito, no nosso país, é relativamente recente. A mailing list poly_portugal conta com cerca de 60 participantes, número que não traduz a real dimensão da comunidade de poliamorosos em Portugal, explica Ana, uma das moderadoras do fórum.
Lara criou, há cinco anos, o site poliamor.pt, que recebe cerca de 170 visitas por mês. Mais recentemente, começaram a organizar-se, em Lisboa, encontros semanais de pessoas interessadas nesse estilo de vida.
O facto de agora começar a ser divulgado um conceito que traduz o que muitos já sentiam como sendo a sua forma de estar nos relacionamentos, mas não sabiam como designar, pode "facilitar a que apareçam mais pessoas que se identifiquem com essa prática", considera o sociólogo.
Neste modelo, não são os papéis de género que organizam a relação nem é a tradição que regula o que é ou não permitido. "É uma proposta com o objectivo de libertar as pessoas de formas de relacionamento que as limitam", sublinha o investigador.
Para Gabriela Moita, psicóloga clínica especializada em sexualidade e docente universitária, "o ser humano não é monogâmico ou polígamo por natureza". "É a socialização que nos ensina a forma de pensar e seleccionar os sentimentos, levando-nos a reprimir ou a permitir certo tipo de emoções", acrescenta.
"Quase todas as pessoas já sentiram emoções por várias pessoas ao mesmo tempo. Mas, o que normalmente acontece é a pessoa colocar-se em causa, considerando que há algo de errado consigo ou com a relação que tem. E, como é socialmente condenado, acaba por escolher um dos sentimentos", explica a psicóloga.
Este é o comportamento mais habitual, o que não significa que seja o mais saudável. "Tudo o que traga liberdade aumenta a saúde mental", frisa Gabriela Moita, acrescentando que o que causa problemas é o "amor dependente". Ou seja, "esperar que o outro nos complete e seja tudo para nós".
Trata-se, porém, de uma opção que não é fácil de assumir. À excepção de um caso, todas as pessoas que falaram ao JN solicitaram o anonimato. Por receio de sanções familiares, sociais e até profissionais. Colocar em causa a monogamia é encarado como um ataque à instituição do casamento e espoleta reacções extremas.
Mas será que as novas formas de conjugalidade são uma ameaça social? "O poliamor é uma alternativa de estilo de vida, um outro modelo de relacionamento. Não ameaça nem substitui o que já existe", defende o sociólogo João Oliveira.