Assim escreveu Guerra Junqueiro, no final do século XIX
"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonha, feixes de miséria, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia de um coice, pois que já nem com as orelhas é capaz de sacudir as moscas. [...]"; "Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não discriminando já o bem do mal, sem palavra, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo [...]"; "Liberdade absoluta, neutralizada por uma desigualdade revoltante, o direito garantido virtualmente na lei, posto, de facto, à mercê dum compadrio de batoteiros, sendo vedado, ainda aos mais orgulhosos e mais fortes, abrir caminho nesta porcaria, sem recorrer à influência tirânica e degradante de qualquer dos bandos partidários"; "E se a isto juntarmos um pessimismo canceroso e corrosivo, minando as almas, cristalizado já em fórmulas banais e populares [...] teremos em sintético esboço a fisionomia da nacionalidade portuguesa".
afinal, em Portugal, já há, de forma significativa (caso contrário os jornalistas não fariam artigos sobre isto) seres humanos que fazem do seu modo de vida aquilo que é o meu discurso sobre o ser humano e as suas relações sexuais e afectivas ao longo da História da Humanidade....
Amores múltiplos sem tabus
Histórias de portugueses que assumem o fim da exclusividade e vivem relações abertas com vários parceiros. Sem fidelidade e sem enganos
HELENA NORTE, JOSÉ ANTÓNIO DOMINGUES
Lara e Jorge estão juntos há 12 anos. Logo no início da relação, descobriram que não sentem ciúmes e que ficavam felizes por ter outros relacionamentos. Alex tem uma namorada há oito meses e, embora não ande à procura de outros relacionamentos, não exclui essa possibilidade. Michael vive sozinho, mas mantém, actualmente, três relações. Ana vive com o companheiro e tem duas namoradas, uma delas deverá ir viver com o casal e formar um "V" aberto.
"Se um pai tem um filho e, depois, nasce um segundo filho, o amor que tinha pelo primeiro não fica diminuído. E se nascer um terceiro filho, o pai vai amar os três, sem que o amor por cada um diminua. Nós somos capazes de amar várias pessoas em simultâneo, sem que isso signifique dividir o amor", defende Lara. Jorge, o companheiro, concorda: "Há menos stresse na relação porque não há a pressão de sermos tudo para a outra pessoa".
Lara e Jorge são predominantemente heterossexuais, embora ambos já tenham tido experiências com pessoas do mesmo sexo.
Família alargada e aberta
As várias relações que mantêm não colocam em causa a sua união e gostariam de alargar a família a outros elementos. Foi o que aconteceu, durante algum tempo, com outro casal. Viviam em casas próximas e partilhavam as suas vidas e as suas camas, mas uma mudança de cidade ditou o afastamento. "A situação ideal era que mais pessoas entrassem para a nossa família e que partilhássemos tudo, sexo incluído", sublinha Jorge. O casal gostaria de ter filhos e de os educar no seio desse modelo de família alargada.
Alex considera que "não há satisfação plena com uma pessoa", pelo que está sempre aberto à possibilidade de ter várias relações em simultâneo. "Cada pessoa desperta uma faceta diferente", explica este brasileiro de 31 anos a residir em Portugal há sete. "Se tudo na Natureza é cíclico, porque há-de o amor ser eterno?", questiona.
Ana percebeu muito cedo que era capaz de amar várias pessoas ao mesmo tempo. Mais: que ficava feliz se o companheiro também o fizesse. Essa descoberta permitiu que ambos aprofundassem uma vivência que sai dos parâmetros da tradicional exclusividade monogâmica, mas que, aparentemente, resulta: estão juntos há 15 anos. E até resistiu a uma revelação que poderia ser fatal para um casal convencional - ela descobriu que, afinal, é lésbica.
Sexo não define relação
Os rótulos são manifestamente estreitos para compreender um estilo de vida que desafia algumas das mais enraizadas tradições da nossa sociedade. Ela sente-se lésbica, mas não prescinde da sua relação com Miguel, porque considera que não é o sexo ou a atracção e intimidade físicas que definem uma relação. Diz que é o "desejo e a capacidade de fazer planos em comum, a longo prazo" que caracterizam uma relação.
E é uma relação que tem com Miguel, que considera seu companheiro, não obstante ser lésbica. Ele, por seu lado, também mantém relações com outras mulheres, algumas das quais também já se relacionaram, de forma íntima, com Ana, mas tal "não é obrigatório".
De casal para "V" aberto
Miguel também já partilhou as parceiras de Ana. O que não acontece agora. Ela tem duas namoradas. Uma delas vai mudar-se lá para casa e constituir um "V" (relação em que apenas um dos elementos se relaciona intimamente com os outros dois). Um "V" aberto, o que significa que todos têm liberdade de se relacionarem com outros parceiros exteriores à constelação. Ana, Miguel e outra mulher já viveram num "V" fechado ou em polifidelidade (fiéis entre si), mas este modelo não colhe as preferências do casal.
Confuso? A rede pode ainda ser mais complexa. O limite é o tempo. "O meu coração é elástico, mas o tempo não. Por isso, não começo relações de que depois não posso cuidar", sublinha esta activista de poliamor ou da não monogamia responsável, como prefere designar. Na sua opinião, a prática consentida de relações múltiplas e simultâneas "retira o peso excessivo do sexo numa relação". "Podemos ter uma pessoa com quem nos queremos relacionar para o resto da vida, mas o sexo não é bom. Se for possível ter sexo com outra pessoa, com total honestidade e sem magoar ninguém, é muito melhor", garante.
Embora encarado sem tabus, o sexo não define as relações, muito menos os sentimentos. Michael confessa ainda amar duas das mulheres com quem se relacionou no passado. Uma delas é mãe de um dos seus filhos e uma das suas melhores amigas. "Amo-a e não temos sexo há muitos anos." Noutros casos, a relação passa pela cama. Actualmente, relaciona-se de forma íntima com três mulheres - todas sabem que não são exclusivas. Afirma que sente amor por todas, mas assume que o sentimento não é igual, porque o "amor constrói-se, solidifica-se com o tempo".
Gestão dos ciúmes
Mesmo assumindo que o amor não se divide, antes multiplica-se, a questão dos ciúmes não é fácil de gerir. Ana assume-os, mas entende que são uma manifestação do medo de se perder o outro e não um sinal de posse. "Consegui desconstruir o sentimento de posse associado ao ciúme e percebi que, no meu caso, significa o medo de perder, que surge quando me sinto insegura".
Para Lara, o facto de o companheiro encontrar outras pessoas com quem se sente bem a partilhar a sua intimidade é motivo de alegria. "Sinto prazer ao ver que as pessoas de quem gosto estão bem", garante. "Escolho todos os dias estar com Jorge tendo a liberdade de saber o que é amar outras pessoas. E com ele passa-se a mesma coisa. Dá-me mais confiança saber que ele, tendo a liberdade de estar com outras pessoas, escolhe todos os dias estar comigo. "O resultado é uma relação mais sólida, profunda e verdadeira, asseguram.
um exemplo de um bom ideal implantado e construído à custa de sangue, desvios ideológicos, abuso de poder, interpretações erradas e falhanços históricos.. no entanto, não deixa de ser um bom ideal para vivermos e lutarmos por ele
PCP fala em "traição de dirigentes" na derrota da URSS
25.09.2008, São José Almeida
A "traição de altos responsáveis do partido e do Estado" é um dos motivos apontados para a "derrota" do socialismo na União Soviética de acordo com as Teses ao XVIII Congresso do PCP que hoje são divulgadas com o jornal partidário Avante!. Em fase de discussão, para posterior aprovação pelo congresso, e susceptíveis de sofrer alterações, as Teses afirmam a necessidade e a certeza de que o futuro passa pelo socialismo e pelo comunismo. É nesse âmbito que é abordada a análise do que se passou nas décadas de 80 e 90 na União Soviética e nos países de Leste, que levou ao que a direcção do PCP caracteriza como "derrota" do socialismo. Assim, no ponto O socialismo, alternativa necessária e possível pode ler-se, na página 15: "Perante os complexos problemas que se manifestaram na construção do socialismo na URSS, assim como noutros países do Leste da Europa, o PCP expressou compreensão e solidariedade para com os esforços e orientações que proclamavam visar a sua superação, alertando simultaneamente para o desenvolvimento de forças anti-socialistas e para a escalada de ingerências imperialistas, confiando em que existiam forças capazes de defender o poder e as conquistas dos trabalhadores e promover a necessária renovação socialista da sociedade. Mas certas medidas tomadas agravaram os problemas ao ponto de provocar uma crise geral. O abandono de posições de classe e de uma estreita ligação com os trabalhadores, a claudicação diante das pressões e chantagens do imperialismo, a penetração em profundidade da ideologia social-democrata, a rejeição do heróico património histórico dos comunistas, a traição de altos responsáveis do partido e do Estado, desorientaram e desarmaram os comunistas e as massas para a defesa do socialismo, possibilitando o rápido desenvolvimento e triunfo da contra-revolução com a reconstituição do capitalismo". Considerando "a caminhada da humanidade para o socialismo e o comunismo sofreu profundos reveses no findar do século com a destruição da URSS e as derrotas do socialismo no Leste da Europa", a direcção do PCP garante que o que foi derrotado não foram os ideais e o projecto comunistas, mas um 'modelo' historicamente configurado, que se afastou, e entrou mesmo em contradição com características fundamentais de uma sociedade socialista". Refira-se que, na análise da situação internacional, as Teses dizem que "importante realidade do quadro internacional, nomeadamente pelo seu papel de resistência à 'nova ordem' imperialista, são os países que definem como orientação e objectivo a construção duma sociedade socialista - Cuba, China, Vietname, Laos e RDP da Coreia". E sublinham que entre os partidos comunistas "continuam a desenvolver-se tendências revisionistas e reformistas envolvendo processos de degenerescência, autoliquidação e diluição em frentismos de 'esquerda', com o abandono das referências ideológicas e objectivos revolucionários que definem os comunistas como corrente revolucionária". Garantido que "o Partido da Esquerda Europeia, que o PCP não integrou pela sua lógica supranacional e natureza ideológica, não só se confirmou como uma falsa resposta ao reconhecidamente do necessário reforço da cooperação das forças de esquerda anticapitalistas na Europa, como introduziu factores de divisão, afastamento e preconceito, que se manifestaram nomeadamente no Grupo da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica no Parlamento Europeu." XVIII
O XVIII Congresso do PCP realiza-se em Lisboa, no Campo Pequeno, entre 29 de Novembro e 1 de Dezembro
Referencias para o dia de hoje: sempre que entramos num hospital em estado grave temos 10% de pifar devido a erro...
Médicos erram em 10% dos casos Os utentes devem estar conscientes que quando vão aos serviços de saúde "as coisas podem correr mal", apesar de "normalmente correrem bem", alertou hoje um cirurgião, a propósito do erro médico, que afecta um em cada dez doentes. Em média, o erro afecta 10% dos pacientes. http://jn.sapo.pt/paginainicial/
A quatro minutos do fim o jogo estava ganho e muito bem ganho, mas a Dinamarca soube sobreviver ao caos e fez reviravolta gloriosa.
Espectáculo termina em pesadelo, Correio Manhã de 11-09-2008
Carlos Queiroz fez duas substituições a meio da segunda parte, mas negligenciou a falta de estabilidade de um meio-campo demasiado dependente de Deco e conduziu Portugal à primeira derrota em casa num jogo oficial, desde a final do Euro’2004. É apenas o início da caminhada para a fase final do Mundial 2010, mas com este triunfo por 3-2 a Dinamarca já leva uma boa vantagem, após uma partida em que evidenciou total concentração, do primeiro ao último minuto, tirando o máximo partido da falta de inteligência táctica dos responsáveis nacionais. Quase dava para ouvir Scolari, lá em Londres, a perguntar: "E o burro sou eu?"
Queiroz perde primeiro jogo a sério, Diário Notícias de 11-09-2008
Numa noite marcada pela exibição de Deco e pela terrível eficácia da Dinamarca, Portugal não disfarçou a dependência do n.º 10 e a falta de capacidade de concretização.
Balde de água muito gelada, Jornal Notícias de 11-09-2008
Portugal perdeu esta quarta-feira com a Dinamarca, numa partida louca, com a selecção nórdica a dar a volta ao jogo nos descontos. A selecção nacional teve a vitória na mão. Inexplicavelmente, perdeu. E foi-se o talismã.
Magia Negra, O Jogo de 11-09-2008
Se há alturas em que apetece acreditar na predeterminação dos acontecimentos, a derrota de ontem de Portugal ante a Dinamarca é certamente uma delas, de tal maneira pareceu obedecer a um guião do género crime e castigo. O crime foi, obviamente, o inacreditável desperdício dos jogadores portugueses (Simão, Nani, Nuno Gomes e Danny falharam golos quase certos), e o castigo começou a adivinhar-se à medida do avolumar desse mesmo desperdício
Há coisas do Caravaggio!, Record de 11-09-2008
Última derrota em casa num apuramento para o Mundial foi há mais de 15 anos... com Queiroz.
ah... e isto que não interessa nada...
Começou a viagem até às origens do Universo, Público de 11-09-2008
O dia no CERN, como é mais conhecido este laboratório internacional instalado em cima da fronteira entre a França e a Suíça, foi ontem de festa, daqueles que pedem mesmo abertura de champanhe e bolo. Literalmente. De cada vez que o se via o clarão de luz disparar no ecrã, demonstrando que o feixe de protões tinha superado mais uma secção do túnel subterrâneo de 27 quilómetros de circunferência, a alegria dos cientistas disparava em saudações de palmas, em risos que aliviavam a tensão acumulada da expectativa.
Coincidências.. este balcão assaltado é o meu balcão. A gerente e os outros funcionários lidam com os meus assuntos e com os da minha empresa semanalmente. Ainda ontem a gerente me tinha telefonado para eu tratar de um documento legal, coisa que eu tentei fazer de manhã para lhe levar à tarde, mas devido à fila de pessoas nesse organismo resolvi ir antes à tarde ao mesmo. Foi quando ia a caminho desse organismo que ouvi na rádio o assalto em curso na dependência do BES. Como ali na zona há 2 dependências resolvi telefonar à minha gerente para saber se era o dela. Os telefones fixos estava interrompidos e resolvi telefonar para o telemóvel, o qual foi atendido por ela. Disse-lhe logo: ah se está a atender é porque não é o seu balcão... ao que ela me respondeu: é sim, mas agora não posso falar .. e desligou. Não percebi se atendeu para que eu desse o número de telemóvel à polícia ou por qualquer outra razão. De seguida telefonei à polícia a dizer que tinha falado com ela e qual era o número de telemóvel dela, para que eventualmente fosse útil para os operacionais no terreno.
Devido ao problema da Matilde e à enorme escassez de informação para os pais com crianças com alergias alimentares resolvi criar este blog: http://alergiasalimentares.blogspot.com/
Mulheres, parabéns pela emoção e percepção singular com que conduzem a vida. Isto me leva a escrever o artigo, ora em pauta, sobre a participação do homem pai, do novo pai, do novo homem, na criação dos filhos, estando separado do mesmo. A separação, hoje é uma das instituições mais comuns da sociedade; 46% dos alunos matriculados nas escolas públicas são filhos de pais separados portanto, temos que avaliar e analisar a atitude do casal moderno, do “pãe”, que é o pai que supera e moderniza seus limites, e quer participar com suas idéias masculinas na criação, educação, saúde, enfim, toda a emoção e razão que compõe a vida de um filho. No Brasil a Aspase, Associação dos Pais Separados, e Associação dos Pais para sempre, já devidamente constituídas, têm dado grande suporte psicológico aos marinheiros de primeira viagem, pais separados e que se vêm perdidos neste descaminho, que se visto com outros olhos, é um caminho. Tais associações possuem encontros dinâmicos, proporcionando reuniões de auto-ajuda e apresentando projetos de lei no Congresso para maximizar a atuação do pai com o filho. Em Brasília, alguns homens, que se encontraram através de endereços eletrônicos (e-mails) fornecidos pelas Associações supra-citadas, têm mantido contato com o intuito de formar a seção Brasília de uma grande Associação Nacional que está sendo formada após a fusão da Aspase com a Associação de Pais para Sempre, gerando a Aspase - Associação de Pais para Sempre, uma só, forte e unida. Sendo assim, o artigo em questão, é escrito para a mulher moderna, aquela que a cada segundo amplia sua visão de mundo, e através dos seus atos, não quer mais ser a provedora solitária da formação de um filho, mas, quer dividir amigavelmente, de forma madura, com o ex-companheiro, esse desgaste. É bem verdade, que quem fica com o filho após uma separação, tem uma chance enorme de desgastar o relacionamento com o mesmo. Como a Justiça, na maioria de suas sentenças, acredita que a mãe é o celeiro mais próspero para a criação de um filho, muitos pais resumem a paternidade ao exercício de pegar o filho de duas em duas semanas e dormir com o mesmo uma vez a cada quarta-feira. A percepção feminina é singular, além do amplo desenvolvimento social e profissional que a mulher vem obtendo, ela tem repensado a atuação que o ex-companheiro deve ter com relação à criação do filho. A mulher moderna abre espaço para que o mesmo possa se posicionar e discutir a educação, a saúde, enfim, tudo que envolve uma criança no processo de sua formação. Se formada com as percepções masculina e feminina, a criança, com certeza, estará pronta para enfrentar a alegria e os percalços da vida, e a mulher moderna, madura, sabe disso. A disputa pelos filhos é prejudicial ao mesmo. É impossível, no final de um Fla x Flu, os ânimos estarem inalterados. Toda disputa provoca no filho tristeza, desequilíbrio, e nos pais, principalmente os antiquados, vitórias, pois, cada um se vangloria quando uma sentença os favorece. É importante ressaltar que a sentença mais importante está nas mãos do casal, que se moderno em conceitos e atitudes, não leva nem o caso à Justiça, a Justiça passa a ser suporte do nada e a compreensão se faz pela absorção de valores que estão arraigados nos dois que crescem a cada segundo, a cada emoção, a cada razão, vivenciada. Por isso, os dois têm que compreender o raciocínio, o sentimento, a percepção um do outro, ele dela e ela dele, assim, estarão pensando no lado psíquico do filho. Não devem se expor, nem devem expor seu filho, devem simplesmente acordar tudo, e quando não houver acordo, o mais sábio, com certeza, cederá ou enfim, a Justiça, infelizmente, julgará. Vários leitores dirão que isto é utopia. Eu direi, que tudo na vida, a busca de algo novo, sempre no início é utopia. A relação está nas mãos de vocês, pai e mãe, mas, a sabedoria dos atos está nas mãos da maturidade da relação, que geralmente ao enfrentar a dor, se traduz em desacatos, mas pode ser traduzida num encontro com o novo, com uma macro-visão, uma nova forma de ver a vida, que dará suporte e equilíbrio na formação do novo filho, que verá seus pais separados, unidos por uma nova atitude para consigo. Este é um artigo, portanto, em homenagem à nova mulher, que é uma mulher de macro-visão, que quer dividir com o pai a responsabilidade e o desgaste de se criar um filho, não necessitando da intervenção da Justiça para endossar seus atos. A nova mulher e o novo homem sabem muito bem o que querem, e nunca deixarão juiz nenhum orientar-lhes pois, eles estão sendo orientados por uma nova concepção de vida, a concepção de fazer o filho feliz, a concepção de não disputar nada pois, os dois são vencedores, vencedores em tudo e o troféu é o filho que estará com tal atitude, equilibrado, maduro, enfim, feliz. Seu olhar, com certeza, eternizará o brilho singular da paz, pois, sua criação será um arcabouço de soluções, sem impasses, com rumo, com norte, enfim, com amor, que é o sentimento que o filho mais quer, mais sente falta, mais vive e mais ama.
Publicado em 05/08/2004 na coluna Sem Censura do caderno Educação do jornal Folha Dirigida:
A reinvenção do papel do pai
Por Maria Luisa de Moura Carvalho, psicanalista e especialista em psicologia jurídica
Começou bem de mansinho. Ele, como quem não queria nada, afastou a sogra na hora do parto e se fez presente naquele momento único e inesquecível: a chegada do filho já amado. O ato lhe possibilitou construir uma sólida e carinhosa ligação amorosa com seu rebento, bem diferente da que tivera com seu próprio pai.
E assim, timidamente e um pouco sem jeito - afinal estava sob a mira dos olhares incrédulos e críticos das mulheres (até de sua própria mãe!!!) - banhou sua cria, aliviou suas cólicas e o pôs para dormir.
Depois, veio o segundo filho. A mulher, aflita e dividida entre sua profissão e os cuidados com a prole, não encontrou outra maneira a não ser abrir mão do poder materno - outorgado pelos médicos higienistas no século XIX - e, mesmo sentindo-se terrivelmente ameaçada por ter de dividir seu território, deixou que este homem passasse a compartilhar a educação dos filhos.
Assim está surgindo uma nova geração que reinventa o papel de pai, deixando para trás o modelo de pai provedor e autoritário desempenhado pelas gerações anteriores. Estes novos pais começam a ser vistos sozinhos, nas portas dos colégios, nas reuniões escolares, passeando com seus filhotes nos parques, demonstrando carinho e amorosidade antes impensáveis, derrubando com este novo comportamento o mito de que só a mulher está apta naturalmente a cuidar de uma criança.
Nas últimas novelas da TV Globo estes novos pais foram magnificamente retratados pelos personagens de Edu, divorciado (Coração de Estudante), Cristiano, viúvo (Celebridade) e Esteban, pai solteiro (Kubanacan). Os três demonstraram total aptidão e desenvoltura nos cuidados cotidianos das crianças. Sem apelar para ajuda da própria mãe, vizinha ou namorada, resolviam tudo sozinhos e tinham excelente relacionamento com os filhos.
Mas apesar das evidências de que os novos pais começam a se multiplicar, o direito de família tem demonstrado que não está acompanhando esta evolução dos usos e costumes de nossa sociedade. Faço tal afirmação porque nos processos de regulamentação de visitas dos filhos menores, em casos de separação conjugal, os juízes continuam seguindo o padrão que já se tornou clássico: estabelecer as visitas paternas em fins de semana alternados. Não se percebe nos operadores de direito a compreensão de que as caraminguadas e jurássicas visitas quinzenais praticamente impossibilitam a construção e consolidação dos laços afetivos que devem existir entre pais e filhos. A intimidade, a cumplicidade com os filhos torna-se, para os novos pais, sonho impossível.
Como o filho pode ter intimidade com um pai que só vê de quinze em quinze dias? Como não estranhar sua casa, sua eventual namorada ou até mesmo seus pais, irmãos e filhos, ou seja, a outra linhagem, se são vistos apenas esporadicamente? Como se sentir em casa se estes fins de semanas alternados são designados pela Justiça como visitas? E como, ao tornar-se adolescente, irá querer passar o fim de semana na companhia do pai, cuja chance de ter se tornado um estranho aos olhos dos filhos é tão grande?
Por outro lado, como o pai pode reconhecer uma inquietação no filho sem plena convivência com ele? Como acompanhar o desenvolvimento de sua prole, suas descobertas, protegê-los de erros e orientá-los em seus deslizes se são mantidos a distância pela Justiça?
Quantos pais insistem sistematicamente para participar mais da vida de seus filhos e são barrados por ex-mulheres poderosas e controladoras, que preferem educar seus filhos sozinhas, para não perder o poder sobre eles? Como saber do comportamento do filhote na escola, do boletim escolar, se algumas mulheres se vingam de seus ex-maridos privando-os de todas as informações? Pesquisas afirmam que muitos pais acabam se cansando e afastando-se de seus filhos por não se conformarem em desempenhar o papel de visitantes na vida da prole.
Curadores e Juízes, despertem! É chegada a hora de mudar. A psicanálise nos ensina que pai e mãe são fundamentais na formação do psiquismo de seus filhos. Não permitam mais a visita quinzenal. Troquem a fatídica e nefasta palavra visita por convivência familiar, pois usar as palavras certas pode se constituir em reforço simbólico na consolidação dos deveres e direitos entre pais e filhos. Instituam pelo menos um dia na semana para o pai estar com o filho; e que o fim de semana comece na sexta-feira e termine na segunda. Assim teremos crianças e adolescentes mais felizes, certos do amor que pai e mãe nutrem igualmente por eles. Vamos, finalmente, criar condições para que surjam cada vez mais novos pais, apesar do aumento do número de separações conjugais. Amor e convivência familiar nunca são demais!
Licenciadas aumentaram 60 vezes em meio século, Diário Notícias de 26-12-2007
O peso de mulheres licenciadas na sociedade portuguesa cresceu mais de 60 vezes nos últimos 47 anos. Se em 1960, o total de diplomadas não ia além dos dez mil, no final do ano lectivo em curso esse número deverá rondar as 600 mil. A evolução é muito significativa, mas falta ainda, explicam especialistas em sociologia da educação, conquistar o mercado de trabalho e chegar a lugares de topo.
Em Junho de 2008, celebram-se os 80 anos do último congresso feminista que se realizou em Portugal: o 2º Congresso Feminista e da Educação. Organizado pelo Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, coube a uma nova geração de mulheres da época fazer a abertura pela voz de Elina Guimarães.
Tal como então, a necessidade de desafiar as estruturas patriarcais da sociedade que ainda mantêm as amarras das mulheres a situações de discriminação e opressão e a importância de construir um "outro mundo possível" também feminista constituem a essência deste impulso de criar um forte movimento que conduza à realização de um Congresso Feminista em 2008.
No início do séc. XX, foi o direito de voto, o direito à educação e ao trabalho que mobilizaram intelectuais, progressistas e feministas (homens e mulheres) pelos direitos de igualdade entre homens e mulheres. O meio século do regime fascista foi um retrocesso imenso nesse caminho para a igualdade: regrediu-se em termos de educação (maior retrocesso para as mulheres, embora também tenha regredido para os homens), em termos do direito ao trabalho, à sua independência económica e aos direitos de participação política e cidadã (igualmente restringidos para os homens). Algumas organizações feministas resistiram ainda algumas décadas no fascismo como foi o caso do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e da AFPP Associação Feminina para a Paz, mas o regime acabaria por proibir as suas actividades, fechar as suas sedes e perseguir as suas dirigentes.
O início da década de 1970 marca um avanço para as mulheres no que se refere à educação: é reinstaurada a coeducação e as raparigas vão fazendo [aliás desde a década anterior] um investimento na educação liceal e, mais tarde, na educação média e superior (esta já depois do 25 de Abril) e este investimento na educação formal abre portas às mulheres no trabalho nos sectores dos serviços, nomeadamente no ensino, enfermagem e função pública o que tem um enorme significado para a independência dos segmentos femininos de classe média. No entanto, os seus direitos de cidadania continuam significativamente cerceados dado que ela só pode trabalhar com autorização do marido, o marido pode ir receber o seu salário, a família constitui um reino patriarcal exacerbado, as mulheres não têm direito universal de voto, e a sua participação política só é possível se fôr em prol do regime.
O 25 de Abril abre portas à participação política e cidadã das mulheres e tem um enorme significado no que se refere ao direito ao trabalho para as classes trabalhadoras "a trabalho igual, salário igual" no apoio às mães trabalhadoras com o incremento de creches, infantários e outras medidas de
apoio à maternidade.
Também na esfera doméstica e familiar, se verificam mudanças significativas: a alteração do código Civil significou o fim do chefe de família, se bem que a violência contra as mulheres na família só tenha entrado na agenda política nos finais do séc. XX.
Em termos da vida afectiva e sexual, assistimos igualmente a um enorme avanço no que se refere ao planeamento familiar e contracepção, embora as questões dos direitos sexuais e reprodutivos ‹ aborto, educação sexual e orientação sexual ‹ não tivessem avançado.
O 25 de Abril significou um grande avanço dos sectores femininos das classes trabalhadoras mas a longa repressão do feminismo no fascismo e a ausência de uma consciência feminista na esquerda portuguesa significou uma grande paralisia em algumas dimensões da vida das mulheres, nomeadamente as da vida familiar, afectiva, sexual e reprodutiva.
O início do séc. XXI mostra um grande avanço no que se refere à violência doméstica, com a sua definição jurídica como crime público e sete anos depois uma vitória esmagadora no SIM no referendo do aborto abrem uma nova etapa no feminismo português.
Assim, se a memória histórica dos feminismos se foi apagando ao longo da década de 1950 e o "feminismo" foi considerada expressão "mal-amada", acabando por deixar de fazer parte do vocabulário político, mesmo no Portugal democrático, algumas organizações pioneiras, mulheres protagonistas foram segurando o testemunho de levar por diante os ideiais e as causas feministas até aos dias de hoje.
Também a conquista da paridade na política foi um avanço importante, já neste século, mas este avanço legislativo só poderá ter concretização se completado com a paridade em termos da vida privada e profissional.
Uma nova etapa se abre às mulheres em Portugal com a vitória histórica do SIM no referendo da interrupção voluntária da gravidez enquanto uma das dimensões importantes na determinação dos nossos destinos enquanto mulheres. Esta vitória do SIM no referendo sobre a despenalização do aborto representou o alcançar de um direito de cidadania até aí vedado às mulheres: o de poderem decidir sobre a sua maternidade. O direito de opção das mulheres foi a questão que mais incomodou as forças conservadoras que estiveram pelo ³não². Quebrou-se, deste modo, um dos redutos da dominação sobre as mulheres e daí falarmos de um novo quadro político com melhores condições para que se dê expressão e maior visibilidade às lutas das mulheres pelos seus direitos e pela sua afirmação social.
Talvez possamos afirmar que, em termos sociais, o termo feminismo deixou de ser uma palavra maldita. Todavia, ainda não lhe é reconhecido o verdadeiro significado, na sua tripla dimensão, quer como perspectiva epistemológica (de investigação científica), quer como filosofia (conjunto de ideias e princípios de orientação da visão do mundo e do quotidiano), quer como perspectiva de intervenção política e activista. No entanto, o número cada vez maior de mulheres (e homens) que afirmam o seu feminismo na ciência, na literatura, na arte, no trabalho, na política, na intervenção, mostram que já não temos vergonha nem medo de nos denominarmos feministas. Para mais, com uma grande consciência e humildade que o feminismo é plural.
A realização deste Congresso vem também num momento em que é necessário colocar na ordem do dia que as mulheres ainda não atingiram os patamares da igualdade, apesar dos avanços que a sociedade já realizou. O patriarcado continua fortemente enraizado nas estruturas sociais (económicas, políticas, jurídicas, culturais, familiares, sexuais), assim como nas representações e nas estruturas e disposições simbólicas e mentais que proporcionam as condições para a sua continuada reprodução.
Os eixos estruturais de discriminação situam-se:
no acesso ao emprego por parte das jovens que são preteridas face aos jovens mesmo com melhores médias e mais formação;
na persistência das discriminações salarais e mesmo incumprimento do preceito legal de ‘trabalho igual, salário igual’;
no agravamento das condições de vida das mulheres dos sectores em maior desvantagem social, sensivelmente a partir de 2002, com um maior desemprego e maior pobreza;
no acesso a cargos de chefia, ainda que com maior curriculum;
no acesso aos lugares de topo na política;
na enorme sobrecarga de trabalho que sobre elas ainda recai, sobretudo nas tarefas domesticas e do cuidar;
na aplicação dos direitos de maternidade, sobretudo no caso das profissões das classes trabalhadoras e nas de carreiras das classes mais eruditas, como as académicas, gestoras empresariais;
na desigualdade de acesso aos direitos gerais por parte das lésbicas e da subordinação em termos da orientação sexual;
em termos da socialização, devido aos estereótipos.
A UMAR sente ser seu dever histórico vir a dinamizar uma grande realização que contribua para a afirmação dos feminismos na sociedade portuguesa, convocando para tal amplos sectores sociais, culturais, associativos e políticos. Surgiu, assim, a ideia da realização de um Congresso Feminista, a 26, 27 e 28 de Junho de 2008.
A principal finalidade consiste em:
Dar mais visibilidade aos contributos e simultaneamente incentivar as mulheres na sociedade, na ciência, na arte, na literatura, na política, nos negócios, no trabalho, na vida privada, na família.
Nessa medida, os objectivos do Congresso são:
dar visibilidade aos feminismos como uma corrente plural de pensamento e de acção na sociedade portuguesa, onde a investigação e o activismo feminista encontrem espaços de interacção;
envolver diversos sectores sociais, culturais, associativos e políticos de forma a que os feminismos se projectem para além das universidades como uma forma de reconfigurar a própria democracia e a participação cidadã;
possibilitar o debate e a expressão de diversas formas de intervenção artísticas e comunicacionais, em torno de novas áreas que envolvam o debate e o diálogo intermulticultural entre uma multiplicidade de actoras/es sociais.
Desde já, uma vasta Comissão Promotora, das mais variadas áreas da sociedade portuguesa, aderiu a esta iniciativa, mostrando como poderemos, todas e todos juntas/os, lutar por uma sociedade mais equilibrada em termos das relações de género em Portugal.