Reflexões de um Caracol à Beira da Estrada
Será a experiência estética a experiência do mundo.... o devir é um devir estético... ou será que devo atravessar a estrada?
terça-feira, setembro 08, 2009
O Sexo e as Emoções Primárias

O Sexo e as Emoções Primárias


No dia-a-dia somos condicionados por inúmeros factores externos. Alheias ao espírito, as nossas atitudes variam consoante o meio à nossa volta e a nossa saúde emocional.
O facto de termos determinadas reacções, sensações ou estados de espírito não é uma questão meramente casual. Acima de tudo, existe uma forte influência daquilo que nos rodeia e da força que esses factores exercem em nós. Reprimir determinados impulsos não vai auxiliar em nada a nossa personalidade e nem a própria saúde sexual.
Ao longo dos tempos, os povos foram educados para viver consoante a filosofia de vida que lhes era impregnada. Das culturas mais transcendentais às mais realistas, o certo é que 
aos humanos não lhe era dado o direito de soltarem as suas emoções primárias, como a alegria, o medo, a ira ou a pena, que eram guardadas secretamente.

Na verdade, trata-se aqui de reprimir os próprios impulsos e desejos humanos, facto que se tem verificado desde sempre. Recordemos o seguinte: o sentimento mais nobre, como o amor, sempre foi elevado ao máximo, enquanto que o sexo, encarado por alguns psicólogos com uma necessidade primária, era
reprimido e totalmente condenável.
Este era o cenário vivido há alguns séculos atrás, mas com o passar do tempo chegou-se à conclusão que as emoções primárias, tal como outras componentes, são predominantes para a formação da personalidade e desenvolvimento da mesma. Assim, as emoções primárias nada têm a ver com o espiritual, mas sim com os factores que nos rodeiam e com a própria fisiologia hormonal.
As emoções são o fio condutor das nossas acções e gestos, e resultam da conjugação de diferentes géneros de hormonas. Inevitavelmente associadas ao sexo, as emoções primárias são o resultado de um momento ou de uma determinada fase que envolveu um objectivo sexual. Se o mesmo é conseguido surge a alegria, mas caso não se concretize surge a pena. Mesmo que alcance o seu objectivo, mas o mesmo não siga as coordenadas que inicialmente pensou, solta-se imediatamente a ira. O medo, por sua vez, pode surgir após qualquer uma destas experiências, evidenciando uma forma de defesa e salvaguarda.
O sexo e as emoções primárias estão intimamente relacionados. Se não conseguir estabelecer um uso correcto dos mesmos, certamente a personalidade e desenvolvimento sexual não serão os mais saudáveis. Pelo facto da nossa sociedade ter na sua essência uma educação sexual muito puritana e pouco aberta, faz com que as emoções primárias da maioria das pessoas não sejam devidamente desenvolvidas. Este desajuste entre emoções e sexo faz com que não haja um equilíbrio, o que origina um descarrilamento da personalidade da pessoa.
Saiba por isso que as emoções estão relacionadas com a própria saúde sexual. Reprimir emoções, sensações e desejos não causará qualquer positivismo na sua vida. O importante é que a criança, logo desde muito nova, aprenda a soltar os seus impulsos e reacções de maneira a conseguir evoluir na sua personalidade. Pensar o sexo como algo natural e não como uma coisa negativa, ajudará na construção e definição da personalidade de muitos jovens portugueses.
Portanto, saiba que o sexo anda sempre lado a lado com as nossas emoções primárias, e que o bom funcionamento de ambas origina o equilíbrio da nossa personalidade e saúde mental. Reprimir a ira, o medo, a pena ou a alegria acabará por torná-la quase num robôt em que as emoções não são sentidas, mas sim acumuladas, até começarem a surgir outro tipo de emoções, estas já doentias. Acautele-se e eduque os seus impulsos e emoções, para uma melhor conduta diária da sua vida.

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sábado, janeiro 10, 2009
Psicólogo defende que a verdade traz felicidade

Psicólogo defende que a verdade traz felicidade

Um psicólogo americano defende que todos seríamos mais felizes se só disséssemos a verdade. Sobreviria o mundo sem a mentira?

Nelson Marques

Para ser absolutamente honesto, arrependi-me de ter proposto este artigo no momento em que me sentei ao computador para começar a escrevê-lo. Esta é a história de um movimento chamado Honestidade Radical. Segundo o seu fundador, o psicoterapeuta americano Brad Blanton, de 66 anos, "todos seríamos mais felizes se deixássemos de mentir". Como a personagem de Jim Carrey no filme "O Mentiroso Compulsivo" deveríamos contar sempre a verdade, não apenas durante um dia mas por toda a vida. Isso implicaria abandonar mesmo aquelas mentiras mais pequenas e insignificantes, incluindo as "piedosas", as meias verdades que adoptamos para não ferir os egos daqueles com quem nos relacionamos.

No mundo da Honestidade Radical, eu não poderia mais esboçar um sorriso amarelo e desviar o assunto sempre que uns pais babados me perguntassem se o filho acabado de nascer, ainda roxo e enrugado, não era a criança mais bonita que já vi. Segundo Blanton, mesmo essas verdades reprimidas devem ser expressadas. "Se o pensas, afirma-o." Só assim se poderá abrir o caminho à verdadeira comunicação.

Sociedade admite 'pequenas mentirinhas'

O psicólogo Rui Manuel Carreteiro admite que, do ponto de vista clínico, a teoria tem alguma razão de ser. "A saúde mental só pactua com a verdade. Muitas vezes, a mentira, o delírio ou a negação parecem o melhor caminho, mas os resultados nem sempre são positivos." Carreteiro sublinha, contudo, que a sociedade está instaurada de forma a admitir, e até encorajar, as "pequenas mentirinhas" e que, por isso, há limites e formas de expressar a nossa honestidade. "Muitas vezes, a mentira seria desnecessária se tivéssemos a coragem e o bom senso de expressar a verdade com as devidas maneiras. Entre 'Essa saia fica-te horrível' e 'Fica-te mesmo bem', há espaço para uma sinceridade que nos tornaria mais fiéis, amigos e verdadeiros."

Blanton, claro está, discorda. Se uma amiga mais rechonchuda pergunta como lhe assenta o novo vestido, devemos ser frios como o Dr. House: "Faz-te parecer mais gorda." Se temos fantasias sexuais com a cunhada, devemos não só dizê-lo a ela como confessá-lo à nossa companheira. Teorias como estas talvez expliquem o porquê de este profeta da verdade ir já no quinto casamento (com uma hospedeira sueca 26 anos mais nova que ele) e partilhar detalhes da sua vida sexual como quem fala do que comeu ao almoço: "Dormi com mais de 500 mulheres e meia dúzia de homens. Tive vários trios. Num deles, havia uma prostituta hermafrodita", admitiu à revista "Esquire". Afirmações como esta ajudarão certamente a vender muitos livros, mas imagino como seria o mundo se triunfasse a Honestidade Radical. Resistiriam os casamentos e as amizades? Sobreviveriam os nossos egos? Aumentaria o desemprego? Mudariam os políticos de profissão? "Um mundo onde só existisse honestidade seria um lugar pior e não melhor", conclui Núria Blanco, uma tradutora de 29 anos. "Podemos escolher não contar às pessoas coisas que só as vão magoar. Há coisas que elas não precisam que lhes digam."

David Smith, psicólogo e autor de "Por que Mentimos" (versão brasileira), concorda. "Se todos fossem completamente honestos, seria o fim da sociedade humana", afirmou ao "Expresso" (ver entrevista nestas páginas). Já o dizia o poeta e humanista alemão Sebastian Brant há mais de meio milénio: "O mundo deseja ser enganado." Se assim não fosse, viveríamos provavelmente em pequenas guerras civis circunscritas ao nosso círculo de relações. "A verdade", defendia o psicólogo austríaco Alfred Adler, "é, muitas vezes, uma terrível arma de agressão. Usando-a, é possível mentir e até matar".

Mentira é usada para sobreviver

A verdade nua e crua é que todos mentimos, "todos os dias, a todas as horas, na alegria e na tristeza", como escreveu Mark Twain num ensaio sobre a arte de mentir. A maioria de nós não somos mentirosos compulsivos e patológicos como a personagem de Jim Carrey, mas todos soltamos aqui e ali pequenas mentiras para não ferir os sentimentos de alguém ou para fugir a uma situação que não desejamos. Afinal, a mentira e a dissimulação são tão naturais como a própria vida. Não se camuflam várias plantas e animais para conseguir alimento ou enganar os predadores? "Tal engano não se trata de um simples jogo: os animais cujos disfarces não funcionam, não sobrevivem", garante o psiquiatra Rui Coelho. Pois também o Homem, qual camaleão, usa a mentira para sobreviver em sociedade.

Já com o artigo pronto, recebi a resposta de Brad Blanton a duas perguntas que lhe havia colocado. Quis saber se a Honestidade Radical não poderia conduzir facilmente à crueldade radical e a um mundo com pequenas guerras civis a cada esquina. A sua resposta: "Faça a merda do seu trabalho de casa. Fez-me as mesmas perguntas superficiais e ignorantes de sempre. A resposta à pergunta um é Não e a resposta à pergunta 2 é Não. Faça o seu trabalho de casa com seriedade ou beije-me o cu." Que tal isto para Honestidade Radical?





Somos maus a detectar mentiras

David Smith, psiquiatra, autor de "Por que Mentimos" (ed. brasileira)

Por que mentimos?

Os mentirosos habilidosos são frequentemente mais bem sucedidos na vida do que aqueles que mentem menos ou com menos eficácia. Os que são capazes de mentir melhor são geralmente mais populares, têm os melhores empregos e mais sucesso com o sexo oposto. Isto acontece porque são capazes de manipular as percepções dos outros sobre si.

Há quem se queixe de que a honestidade não faz muitos amigos. Porquê?

A vida social assenta em grande parte na mentira e no engano. Uma pessoa honesta é, assim, mais facilmente marginalizada. Se as pessoas fossem completamente honestas, a sociedade humana acabaria. Imagine como seria o mundo se todos disséssemos o que estamos a pensar.

Como podemos detectar que uma pessoa está a mentir? Em geral, somos muito maus a detectar mentiras. A melhor forma de fazê-lo é ignorar o que a pessoa está a dizer e focarmo-nos nos sinais não verbais: o seu movimento e o tom da voz. Somos, contudo, melhores a detectar mentiras inconscientemente, do que quando tentamos fazê-lo com consciência. Devemos, por isso, confiar na nossa intuição.

Texto publicado na edição do Expresso de 3 de Janeiro de 2009

http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/490186


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quarta-feira, janeiro 16, 2008
Casal: Conjugalidade e Ciclo Evolutivo
2006, Dez., 05

LOURENÇO, Maria Madalena S. T. Veiga de Carvalho
E-mail: madalourenco@fpce.uc.pt
Casal: Conjugalidade e Ciclo Evolutivo.
Especialidade: Psicologia Clínica
Ramo: Psicologia
Orientador: Profª Doutora Ana Paula Relvas

O casal é uma entidade extremamente complexa, paradoxal, surpreendente e única, como única é a história de cada casal. Porque faz sentido que existam regularidades nas relações humanas, numa perspectiva sistémica e desenvolvimentista faz-se uma reflexão sobre a sucessão de momentos na vida do casal, que também contarão a história de cada um.


O casal arquitecta a família, inserido num sistema mais vasto, onde se incluem famílias de origem, amigos eventualmente filhos…, e englobando indivíduos que, também eles, mudam enquanto sistemas individuais. Às vezes mais um do que outro… às vezes enquanto cônjuge, colocando dificuldades ao terceiro que é o casal, ser com vulnerabilidades e resiliências que também se transformam ao longo da vida.


Porque o casal se complexifica ao longo da sua própria história, neste trabalho a autora tentou encontrar o que pode ser uma sequência previsível de transformações na conjugalidade, e a identificação de fases desde o seu nascimento. Partindo da proposta de DeFrank-Lynch (1986), que não confirma, a autora verificou que a duração da relação conjugal, o número de filhos e, com menos peso, a fase do ciclo vital da família nuclear do casal, explicam importantes diferenças no seio da conjugalidade. A autora acredita que os resultados deste trabalho podem contribuir, em diversificados contextos de intervenção, para ultrapassar criativamente as inevitáveis crises de que tanto se fala e pouco se sabe.




The couple is an extremely complex, paradoxal, surprising and unique entity, as unique is also the history of each couple. As it makes sense that regularities exist in the human relations, the author thought, on a systemic and developmental perspective, over the sequence of moments in the couple’s life, which will also relate the history of each one.
The couple builds the family, inserted in a wider system, that includes origin families, friends, eventually sons…, and including subjects that, also change while individual systems. Sometimes one more than the other…sometimes while husband or wife, raising difficulties to the third one that is the couple, a being with vulnerabilities and resiliencies which also change during life.
As the couple turns itself more complicated during its one history, in this work, the author tried to find out what can be a previsible sequence of conjugality changes, and identify the phases since its birth. Based on the proposal of DeFranck-Lynch (1986), that is not confirmed, the author verified that the duration of married life, the number of sons and, with less weight, the stage of the couple’s life cycle of the nuclear family, explains important differences in the bosom of the conjugality. The author believes that the results of this work can contribute, in various contexts of intervention, to overcome with creativity the inevitable crisis about which so much is commented and about which rather is known.

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Mitos do senso comum....
2003, Maio, 29

NOBRE, Pedro Jorge da Silva Coelho
E-mail: pedrojnobre@clix.pt
Disfunções sexuais : contributos para a construção de um modelo compreensivo baseado na teoria cognitiva.Coimbra,ed., aut.,2003, 393p.
Especialidade: Psicologia Clínica
Ramo: Psicologia
Area: Sexologia
Orientador: Prof. Doutor José Augusto da Veiga Pinto Gouveia
Co-orientador: Prof. Doutor David H. Barlow

A presente investigação visa estudar o papel das variáveis de natureza cognitiva e emocional na determinação do funcionamento sexual. No estudo participaram 662 sujeitos de 4 grupos distintos: dois grupos clínicos (49 homens e 47 mulheres com disfunção sexual) e dois grupos da comunidade (303 homens e 263 mulheres da população portuguesa). A amostra clínica foi recolhida na Clínica de Sexologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra e a amostra comunitária foi retirada da população geral portuguesa. Seis questionários de auto-resposta foram desenvolvidos para avaliar as variáveis cognitivo-emocionais: Questionário de Activação de Esquemas Cognitivos em Contexto Sexual (QAECCS – versões masculina e feminina; Nobre & Pinto-Gouveia, 2002); Questionário de Crenças Sexuais Disfuncionais (QCSD – versões masculina e feminina; Nobre, Pinto-Gouveia, & Gomes; 2003), Questionário de Modos Sexuais (QMS – versões masculina e feminina; Nobre & Pinto-Gouveia, 2002).


Os resultados mostraram a inequívoca contribuição das variáveis cognitivas e emocionais na determinação das disfunções sexuais. No que se refere ao papel dos esquemas cognitivos, os estudos demonstraram que, tanto os homens como as mulheres disfuncionais tendem a interpretar as situações de insucesso como um sinal de fracasso e incompetência pessoal. Os homens disfuncionais apresentaram significativamente mais crenças relativas ao mito do “macho latino” e crenças relacionadas com a satisfação sexual da mulher e sua reacção ao insucesso masculino, enquanto as mulheres com disfunção sexual apresentaram mais crenças sexuais conservadoras e crenças relacionadas com o papel da idade e importância da imagem corporal e beleza física no funcionamento sexual. Tanto os homens como as mulheres com disfunção sexual apresentaram significativamente mais pensamentos e emoções negativas no decurso da actividade sexual: pensamentos relacionados com a erecção e a penetração sexual e escassez de pensamentos eróticos nos homens e pensamentos de fracasso e desistência, pensamentos de abuso sexual e escassez de pensamentos eróticos nas mulheres. Estes pensamentos automáticos surgem associados a respostas emocionais de tristeza, desilusão, culpa, irritação e escassez de prazer e satisfação.


Estes resultados contribuem para o crescente reconhecimento da importância de variáveis psicológicas na determinação do funcionamento sexual e sugerem um recrudescimento de intervenções cognitivas e emocionais no tratamento das disfunções sexuais.

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segunda-feira, dezembro 24, 2007
Relação simbólica Pai Natal e Natal vs relação simbólica com a figura paterna

Pais separados

Suprindo a ausência paterna

Nem tudo na vida é perfeito. Infelizmente. Principalmente quando o pai, seja por motivo de separação da mãe ou por outros acontecimentos, não convive integralmente com o filho.

A representação da figura paterna é fundamental na formação, no desenvolvimento e construção moral, social, emocional e psicológica da criança. Mas os filhos de pais separados ou de mães "solteiras" não são mais problemáticos do que os filhos de pais casados. Algumas vezes, observamos na sociedade uma tendência em rotulá-los, que deve ser evitada.

"Os filhos necessitam em qualquer condição de apoio, de carinho, protecção, companhia, cuidados e limites. É fundamental o papel da família no desenvolvimento da auto-estima dos filhos, pois é nela que desenvolvemos os laços afectivos, influenciando questões relacionadas ao ajustamento e às mais variadas situações", explica a psicóloga Patrícia Camargo.

A figura paterna faz parte da estrutura emocional para nos tornarmos pessoas sadias e maduras. A criança que é criada sem referencial masculino pode tornar-se aversivo às ordens dadas por representantes femininos. Porém isso não quer dizer que crianças criadas somente pela mãe vão ter algum transtorno emocional.

Saiba que crescer numa família sem o pai, cada vez mais comuns nas sociedades modernas, pode ser bem saudável! Como? O pai é o representante dos limites, é o que vem quebrar a simbiose mãe-bebê. No entanto, "a figura do pai" pode ser representada por outras pessoas, mesmo do sexo feminino. Algumas mães conseguem definir limites com muito sucesso.

"O papel materno é um factor essencial nas situações de ausência do pai no desenvolvimento da criança, pois a influência do comportamento materno pode levar a surgir uma maior ou menor predisposição para os conflitos associados à falta do pai", completa a psicóloga.

Alguns cuidados - Para que a "supermãe" obtenha êxito na função também de pai, cabe a ela toda a responsabilidade pela formação infantil - sem estar se queixando do parceiro, evitando brigas na frente da criança, e não usar a criança para se vingar ou ficar falando mal do pai para a criança.

Mesmo assim, proporcione à criança a presença de uma figura masculina: um avô, um tio ou mesmo um amigo confiável, mesmo que o contacto seja esporádico. O importante é que haja muito envolvimento afectivo, atenção, carinho e amor.

Como bem lembra Patrícia Camargo: "as ligações de emoção entre pai e filho são formadas nas relações de afeto e cuidado no dia-a-dia, e não com a parte biológica".

Sempre que possível, o pai ou figura paterna deve estar presente na vida dos filhos, acompanhando e participando de atividades cotidianas, fortalecendo assim uma ligação que, quer queiramos ou não, é para sempre.

Respeito pela figura paterna ou pela figura masculina é fundamental para a integridade da criança. Quando a mãe denigre o pai ou o sexo masculino por qualquer motivo, a criança cresce com uma identidade mutilada.

"Essa presença é muito importante para o bom desenvolvimento da criança. Tanto é que na ausência do pai biológico, cabe a mãe administrar a ausência do pai, de forma a não prejudicar sua imagem, tão importante para a formação do caráter da criança".

Bruno Thadeu

Fonte: http://guiadobebe.uol.com.br/bb5a6/suprindo_a_ausencia_paterna.htm


Ver também este interessante texto fundamentado (e não ideias do senso comum) sobre os significados simbólicos entre as figuras paterna e materna: Variações em torno da Metáfora Paterna


Significados do mundo simbólico do Natal

25 de Dezembro
A Igreja católica toma esta data, a partir do século IV, como aniversário do nascimento de Cristo. O dia 25 apareceu pela primeira vez no calendário de Philocalus em 324, opção feita pelo Papa Júlio I, para cristianizar as grandes festas pagãs realizadas neste dia.

Natal
A palavra Natal quer dizer nascimento, e é de origem do latim. Natal, Noel, expressam o mesmo evento. É uma festa sem fronteiras. É o culto do nascimento, da bondade, da ternura, da vida e da reflexão. Muitos comemoram o Natal com mesa farta, gulodices, esbanjando e troca da presentes. Natal é mais, muito mais do que isso.

Advento
Antes da vinda. Tempo de preparação do Natal, para a vinda do Cristo-Menino. Compreende os quatro domingos que antecedem o Dia de Natal. As famílias cristãs costumam fazer a preparação do Natal com a Coroa do Advento. Monta-se uma coroa de ramos de pinheiro adornada com fitas vermelhas, com quatro velas equidistantes, simbolizando Jesus Cristo, a luz do mundo. A cada domingo, até o Natal, uma vela de cada vez é acesa por um membro da família, à hora do jantar. No quarto domingo todas as velas estarão acesas.

Coroa do Advento ou Guirlanda
Guirlanda, grinaldas, festões e arranjos com folhagens nasceram com a superstição de que heras, pinheiro, azevinho e outras plantas ofereciam protecção, no Inverno, contra bruxas e demónios. Os seus ramos eram usados para afugentar a má-sorte. Representa a mandala, um diagrama em círculo lembrando que a nossa vida é um ciclo de nascimento e morte. Simbolizando a vida eterna e a paz, a guirlanda está presente na decoração natalícia actual. Diz a antiga lenda que se as pessoas passarem sob ela atrairão sorte para si. Ela é sinal de esperança e vida; a sua fita vermelha representa o amor de Deus que nos envolve, e as velas acesas, a fé e a alegria.

Presépio
É a representação do local do nascimento de Cristo com as figuras do Menino Deus, de José, Maria, animais, pastores e magos. É montado em igrejas, residências, casas comerciais e lugares públicos. O primeiro presépio foi feito em 1223 por São Francisco de Assis, nas redondezas de Greccio, Itália. Dizem que, ao passear por uma floresta, encontrou um estábulo abandonado. No outro dia trouxe para ele uma estátua de criança, colocando-a sobre a palha. Os animais que acompanhavam o santo ficaram em volta da estátua. As pessoas da região foram ver o que estava a acontecer e entoaram cânticos natalícios. Como São Francisco via que as igrejas ficavam desertas na Noite de Natal, pediu ao papa para fazer uma réplica de gruta nos templos. Autorizado, montou o primeiro presépio com figuras humanas verdadeiras. O costume difundiu-se até chegar ao ponto de se reduzir o seu tamanho e poder ser montado dentro das casas. O gesto de montar o presépio deverá vir acompanhado do propósito de reconhecer no Jesus-Menino de gesso, madeira ou outro material, uma lembrança do Filho de Deus, que veio libertar-nos dos pecados. O presépio é uma linguagem visual para nos lembrar a vinda de Jesus para o meio de nós. A palavra “presépio” vem do latim e também significa estábulo, manjedoura. O presépio lembra-nos que Jesus escolheu um ambiente pobre e rude para nascer. Poderia tê-lo feito num palácio. O ensinamento que podemos tirar desse facto é o valor da simplicidade, docilidade e fé acima de tudo.

Fios de prata
Conta uma lenda que, num determinado tempo e lugar, quando a Árvore de Natal ficou pronta, foi admirada pela família e os animais da casa. As aranhas que habitavam o celeiro também quiseram vê-la, mas foram impedidas. Durante a noite, quando todos dormiam, elas entraram por baixo da porta e não só viram a árvore, como subiram pelos seus ramos. Ao amanhecer, o Menino Jesus veio abençoar a árvore, e para sua surpresa viu que ela estava coberta de teias de aranha. Jesus, com seus dedos milagrosos, tocou nos fios da teia e eles ficaram prateados. Por isso, hoje é costume ornamentar a árvore com fios prateados.

Bolas coloridas
É o enfeite tradicional da Árvore de Natal. Existem em várias cores, e geralmente são feitas de vidros. Representam os frutos da árvore, que é Jesus. São os talentos, os dons, as boas acções, o amor, o perdão, a esperança e a compreensão. Nossas atitudes sãos os frutos de nossa vida; como as bolas, reflectem o que somos. Elas também simbolizam as graças que diariamente recebemos. A cada ano se desgastam no brilho, mas estarão cada vez mais cheias de lembranças e emoções acumuladas.

Sinos
Os sinos emitem sons agradáveis e audíveis à distância, e são tocados em ocasiões geralmente festivas. Fazem parte do campanário das igrejas e também têm uso particular. Servem para enviar mensagens pelo ar. De modo geral, o seu toque é festivo. Tocado por ocasião do Natal, lembra-nos o facto de termos um Salvador que se fez homem, habitou entre nós e partiu deixando sua mensagem de amor e paz.

Estrela
É usada na ponta da Árvore de Natal para nos lembrar da Estrela de Belém, que guiou os reis magos até a manjedoura de Jesus. Tem quatro pontas, representando o norte, o sul, o leste e o oeste. A misteriosa Estrela de Belém é citada na Sagrada Escritura em Mateus, capítulo 2, versículos 2, 9 e 10 (Mt 2, 2.9.10). É sempre usada como símbolo de alegria, de guia, para despertar e atrair. A estrela é luz permanente. Representada com cinco pontas lembra o ser humano: braços e pernas esticadas e a cabeça, onde está a vontade. Também é encontrada com seis pontas, que é sinal de paz.

Velas
Elas simbolizam Cristo, a luz do mundo, que devemos imitar. É uma tradição nórdica. No início as famílias fabricavam artesanalmente as suas velas, usando a cera pura fabricada por abelhas, conservando a sua cor natural. A chama cintila, serpenteia, atrai e ilumina o nosso ser.

Pai Natal
A origem do Pai natal é incerta e cercada de histórias. A mais conhecida vem do século IV e fala sobre Nicolas, nascido em 281, que tornou-se bispo de Myra, na Ásia Menor. Conta-se que os seus pais tiveram dificuldades para ter filhos, até que nasceu Nicolas. Dando graças pelo facto, eles passaram a distribuir alimentos, roupas e dinheiro aos pobres, até que vieram a falecer devido a uma epidemia. Nicolas herda a grande fortuna de seus pais, torna-se bispo e continua o trabalho de ajuda aos necessitados. Nicolas viveu na época do Imperador Diocleciano, em Roma, e é representado ainda hoje, na Europa, usando vestes de bispo, com um bastão numa das mãos e um saco de presentes na outra. Morreu no ano de 350 d.C. Passou a ser conhecido por S. Nicolas. À medida que a lenda sobre os seus feitos foi sendo passada através das culturas alemã e holandesa, o bispo tornou-se Sinterklass, Saint Nicoleses e finalmente Santa Claus ou Santa Klaus. O Pai Natal é amado pelas crianças e respeitado pelos adultos. O Pai Natal não pode ser visto pelo prisma científico ou religioso. Ele é mágico. Não é branco, negro ou oriental. É um ser capaz de unir a humanidade em torno de coisas boas: amor, ternura, paz, sentimentos, carinho, gestos.

Ceia Natalícia
Ceia é uma reunião festiva entre os familiares e amigos para se comemorar algum evento importante. A ceia natalícia é uma reunião ainda mais familiar, íntima e carinhosa, quando afloram nos corações das pessoas os sentimentos mais variados. Haverá a alegria do encontro, a saudade de quem partiu, a presença de um novo membro, mesclando emoções diversas, pois todos ficam predispostos a se entregar afectivamente, trazendo a mensagem de que Cristo quer renascer no coração de cada um de nós. A tradição conta-nos que após a Missa do Galo, celebrada à meia-noite do dia 24, era servida uma refeição frugal aos presentes. Com o passar do tempo essa refeição foi transferida para as casas dos fiéis e tornou-se mais sofisticada. Iguarias deliciosas, assados, bolos, pudins, passas, nozes, castanhas, tâmaras, frutas cristalizadas… tornaram-se indispensáveis. Na ceia natalícia não falta uma vela acesa, lembrando-nos a fé das pessoas em Jesus Cristo, que continua a brilhar através dos tempos.

Árvore de Natal
Sendo uma planta que cresce em sentido vertical, apontando para o céu, a árvore é considerada por muitos como “intermediária entre o céu e a terra”. A árvore luminosa, colorida, enfeitada, é uma das tradições do Natal. É costume da Antiguidade e vem de rituais pagãos, bastante sedimentados e absorvidos pelos cristãos. Há inúmeras versões sobre sua origem. Quando o mundo foi criado, diz-nos a lenda, Deus deixou o pinheiro com folhas ásperas, fazendo-o sempre lamentar-se. Para reparar o mal e para que a árvore parasse de se queixar, fez com que ela fosse o único vegetal que conserva suas folhas no Inverno e que pelo menos uma vez ao ano teria o brilho das luzes. - Isso lembra-nos a vida e a imortalidade. É Natal! Há árvores decoradas por toda parte: nos centros comerciais, nas ruas, nas residências… enfim, onde existam corações abertos para comemorar o aniversário de Jesus. Ele é o tronco da árvore da vida, nós os ramos; os ramos darão frutos se permanecerem unidos ao tronco, que lhes fornece a seiva da vida divina.

Pé de meia
Como já vimos, São Nicolau, precursor do Pai Natal, era de família rica e ajudava os pobres. Na região onde morava havia três moças pobres, que por falta de dote não conseguiam casar. São Nicolau deitou sacos de moedas pela chaminé das suas casas, que seriam usados como dote. Numa das casas, o saco de moedas caiu numa meia que secava na lareira, nascendo o hábito de se colocar presentes no pé de meia. Outra versão diz que o bispo São Nicolau não gostava de ser percebido quando presenteava, motivo pelo qual colocava os presentes nas chaminés das casas. As crianças perceberam seu método e passaram a deixar ali as suas meias. Hoje o costume é usar meias ou botinhas com fins decorativos. São feitas de feltro, possuem aplicações ou bordados e tornaram-se um símbolo natalício.

Presentes
Presentear é tão antigo quanto a própria humanidade. É uma reacção que acompanha importantes rituais em todas as sociedades. Os pagãos presenteavam as divindades, e nós presenteamos nos aniversários, casamentos, formaturas… e por ocasião do Natal. O presente natalício é uma tradição que tem raízes cristãs, inspiradas na visita dos reis magos, que levaram oferendas ao Menino Jesus. Melchior, Gaspar e Baltasar ofereceram-lhe ouro, incenso e mirra, e nós oferecemos presentes aos familiares e amigos. É uma expressão silenciosa do nosso bom sentimento para com eles. Para muitas pessoas, esta época é marcada pelo consumismo. O costume de colocar presentes sob as árvores de Natal começou durante o reinado de Elizabete I, filha de Henrique VIII, na Inglaterra, no século XVI. Ela promovia festas natalícias e recebia muitos presentes. Como era praticamente impossível receber directamente todos os presentes que lhe eram dados, adoptou-se o costume de deixá-los sob uma grande árvore natalícia, montada nos jardins do palácio. Deus deu-nos o maior e melhor de todos os presentes: Jesus Cristo. Sejamos também um verdadeiro presente para as pessoas!

Cartões de boas festas
Surgiram, segundo alguns, em 1843, para outros em 1845, época mais aceita, havendo ainda referências ao ano de 1853. Foram criados por um artista plástico inglês, por encomenda de Sir Henry Cole. Este, director do Museu Britânico, percebeu que não teria tempo para escrever à mão as felicitações natalícias, que eram moda na época, e mandou fazer um desenho natalício com um espaço onde escrevia breves palavras.

Luzes
Cintilam simbolizando o fogo da vida eterna e saúdam a festa do sol, a vinda de uma nova era. As velas na Árvore de Natal, por serem perigosas, foram substituídas pelos pisca-piscas que decoram as árvores dos jardins e das ruas, as fachadas das residências, das lojas… dando alegria e causando admiração nas pessoas.

Anjo
Ocupa espaço na parte superior do presépio, presente na maioria deles. Representa o Anjo Gabriel, o anjo da Anunciação, que levou a mensagem do nascimento de Jesus a Maria.

Missa do Galo
No início havia três missas: ao pôr-do-sol do dia 24, à meia-noite e a Missa de Natal, dia 25 pela manhã. Foi o Papa Telésforo quem teve a ideia na escolha do horário de meia-noite, a hora do cantar do galo. Ir à Missa do Galo é uma manifestação de fé cristã e de união familiar. É o compartilhar deste dia especial.

Flor do Natal
Euphorbia pulcherrima, flor-de-papagaio ou espírito santo, possui brácteas vermelhas e folhas bem verdes. É decorativa, ilustra cartões natalícios. Foi encontrada no México em 1828 e depois introduzida na América Latina. Conta-se que uma humilde camponesa desejava oferecer um presente ao Menino Jesus e não tinha o que dar. Surge um anjo e sugere-lhe que leve uma planta que existia junto à estrada. Feliz, ela vai entregá-la ao Menino Jesus. As pessoas que presenciavam a cena começaram a rir da pobre senhora, que começou a chorar. As suas lágrimas, ao caírem sobre as folhas, tornaram-nas vermelhas, para espanto de todos. A poinsettia ou espírito santo é uma planta que, exposta ao sol, é verde. Se estiver à sombra torna-se vermelha: é fato científico.

Cores
O verde e o vermelho são cores dominantes no Natal. O verde é renovação, esperança, regeneração. O verde das plantas capta a energia solar e pelo processo de fotossíntese transforma-a em energia vital. O vermelho está ligado ao fogo e ao poder, tanto que aquecer como de destruir, e também ao amor divino. O dourado também é utilizado, e está associado ao sol, à luz, à sabedoria e principalmente à luz da Ressurreição de Cristo, como uma espécie de transformação do material para o espiritual.

Cânticos natalícios
A época natalícia é sempre alegrada com cantigas típicas. As primeiras datam do século IV, sendo Jesus refulsit omninum, de S. Hilary Poitiers. Depois as melodias tornaram-se mais alegres, e até hoje a mais famosa é Silent Night, ou Noite Feliz, de Joseph Mohr e Franz Gruber, escrita em 1818.

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posted by Mikasmokas @ 12/24/2007   0 comments
quarta-feira, junho 06, 2007
Um estudo sobre os efeitos do divorcio nas crianças
Um estudo sobre os efeitos do divorcio nas crianças tendo como variáveis as condições sócio-económicas dos diferentes progenitores.. conclusões relevantes.

Parental Divorce and Children's Socio-economic Success: Conditional Effects of Parental Resources Prior to Divorce, and Gender of the Child
Tamar Fischer
Erasmus University, Rotterdam, fischer@frg.eur.nl
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Both the level and allocation of pre-divorce parental and family resources may be impor tant predictors for the effects of divorce on child outcomes. This study estimates specific divorce effects on socio-economic outcomes of children in families having a different amount and allocation of both cultural and economic resources. In addition, this study tests whether general divorce effects differ between boys and girls. Data are used from the Family Sur vey Dutch Population 1998 (FSDP98) and the Family Sur vey Dutch Population 2000 (FSDP00) (De Graaf et al., 1998, 2000). The first conclusion was that a high level of paternal resources increases divorce effects on children's educational level and their occupational status. Moreover, a high level of maternal resources decreases the divorce effect. These findings suppor t the loss of resources theory. Finally, practically no differences in general divorce effects were found when boys and girls were compared.

Key Words: education • occupation • parental divorce • parental resources

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posted by Mikasmokas @ 6/06/2007   0 comments
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