Reflexões de um Caracol à Beira da Estrada
Será a experiência estética a experiência do mundo.... o devir é um devir estético... ou será que devo atravessar a estrada?
segunda-feira, julho 17, 2006
Finalmente encontrei: um texto bem fundamentado sobre a poligamia e monogamia
Como o texto é muito longo vou colocar aqui excertos e deixo depois no fim o link:


COMPORTAMENTO SEXUAL: DADOS DA PSICOBIOLOGIA


I. Na grande maioria das espécies animais (no qual se inclui a espécie humana) ocorre uma diferença de investimento parental entre os sexos, normalmente com maior investimento por parte da fêmea. Tal facto levará, segundo a teoria de Robert Trivers, à adopção de diferentes estratégias de acasalamento.

II. O sexo que mais invista terá vantagem ao escolher o parceiro de modo criterioso, de forma a assegurar a qualidade genética da sua descendência. Tenderá assim a seguir uma estratégia monogâmica. O sexo que menos invista terá vantagem em aproveitar todas as oportunidades de cópula que lhe surjam, pelo que adoptará uma estratégia poligâmica.
Ocorrência de poliandria em aves (jacanas e falaropos)
Existência de infidelidade e de grupos promíscuos de fêmeas
A não existência de critérios de selectividade por parte das fêmeas de algumas espécies

III. A monogamia masculina só ocorrerá em situações em que a vantagem em termos de descendência seja maior do que a conseguida ao seguir estratégias poligâmicas. Tal é o caso das aves que, devido à necessidade constante de protecção primeiro do ovo e depois da cria, são forçadas a partilhar tarefas.
Há espécies de primatas, como o gibão, em que a fêmea é sempre suficiente no cuidado à
cria e, contudo, subsiste a monogamia.

(...)


V. Relativamente à espécie humana, que corresponde à descrição de espécie poligâmica, as mulheres procurarão homens ricos e dominantes e os homens procurarão mulheres jovens e
bonitas.
A repressão social feminina e a procura de estatuto Há características consideradas mais importantes de igual modo pelos dois sexos, que se distanciam bastante destas.
Inversão de papéis em mulheres de poder.

VI. As diferentes estratégias sexuais condicionam o comportamento dos indivíduos. Os machos tenderão a ser mais agressivos e a procurar a competição com outros machos com eventual monopolização das fêmeas em haréns, são mais sensíveis ao estatuto e a questões de dominância.
Nem sempre há competição entre machos por oportunidade de acasalamento ocorrendo,
por vezes, rapto de fêmeas por alianças de machos. Também há competição entre fêmeas e hierarquias separadas por sexo

VII. Os homens são mais promíscuos, têm limiares de excitabilidade mais baixos e consentem mais rapidamente em relações sexuais do que as mulheres.
Influência de factores culturais ainda não devidamente estudados

VIII. As mulheres, apesar de adoptarem uma estratégia predominantemente monogâmica quando cometem infidelidades fazem-no com homens que sejam considerados geneticamente superiores aos actuais companheiros (mais atraentes e com mais poder económico) mas rocurando manter os companheiros que lhes asseguram cuidados parentais.


V. A nossa espécie, curiosamente, apresenta todas as formas de acasalamento, sendo,contudo, a poligamia a culturalmente mais frequente. Argumentos a favor da poligamia como aracterística da espécie humana são as diferenças de maturação sexual, a maior agressividade no macho,a noção universal de macho viril, as diferenças de excitabilidade (menor limiar de excitabilidade nos homens), os diferentes factores de atracção entre os sexos e as diferenças no ciúme (tal como encontrado nos estudos de David Buss).


Os homens amadurecem mais tarde do que as mulheres. Tal ocorreria porque, visto que têm de competir entre si por poder e pelas mulheres, os homens teriam vantagem em atingir um amanho suficiente para defrontar os seus rivais enquanto que as mulheres teriam vantagem em engravidar o mais cedo possível, para garantir um maior número de descendentes. Estudos ndicam ainda que os homens são mais sensíveis a questões de dominância do que as mulheres, logo desde a infância.

Os factores de atracção entre homens e mulheres também diferem, sendo que estas valorizam sobretudo o estatuto e a riqueza e os homens valorizam o aspecto físico e a juventude.


VII. Estas diferenças apesar de pareceram ter um fundo de verdade são muito influenciadas por factores culturais. Num estudo de David P. Schmitt, sobre diferenças no desejo sexual, verificou-se que em regiões como a Ásia Oriental e África, os homens, em média declaravam que só teriam sexo com uma mulher que conhecessem há, pelo menos, três meses ou um ano, respectivamente. Em comparação, para as mulheres americanas o intervalo era de um mês.
Não deixa de ser interessante ou de lamentar a falta de discussão e integração teórica dos
resultados obtidos nestes estudos que se parecem limitar mais a uma mera exposição de dados
estatísticos. Algumas provas da influência de factores sociais já têm sido mostradas por outros estudos como o Janus Report que, pela primeira vez, estabelece uma comparação entre hábitos
sexuais de homens, mulheres de carreira (que teriam não só diferentes concepções da vida mas
também maiores oportunidades de contacto sexual) e mulheres sem actividade profissional. Os
resultados são, sem dúvida, dignos de nota, com as mulheres de carreira a apresentaram padrões de resposta mais semelhantes aos dos homens em questões como a aceitação de sexo ocasional ou frequência de masturbação.


A ATRACÇÃO INTERPESSOAL
Ao conhecermos alguém é frequente, nos momentos iniciais de interacção, formarmos uma
primeira impressão dessa pessoa, impressão essa que é influenciada pelos seus comportamentos, pelo conhecimento de como essa pessoa é e pela sua aparência física. Tal ocorre porque temos a crença de que não só os comportamentos como a aparência (aspectos físicos e comunicação nãoverbal) reflectem características da personalidade, crenças e estilos de vida.

A importância da beleza
Uma relação pessoal forma-se frequentemente com o surgir de uma sensação inicial de afecto por outra pessoa. Um dos factores que mais contribui para que tal ocorra é a percepção de atractividade física.
(...)

A beleza física, ao contrário do esperado pela psicobiologia, não se restringe pois ao campo romântico-sexual, parecendo abarcar um leque mais vasto de relações sociais.
Poder-se-ia argumentar que a preferência por pessoas fisicamente atractivas se baseia meramente num prazer estético contemplativo mas a verdade é que existem estereótipos associados à beleza. Espera-se que as pessoas bonitas sejam calorosas, amistosas e socialmente confiantes. Num contexto de emprego, as pessoas bonitas são mais facilmente escolhidas em entrevistas de selecção por serem consideradas melhores profissionais. Os homens com uma face com esquema infantil são vistos como mais ingénuos, honestos e generosos do que outros com expressões mais maduras. São também considerados mais atractivos pela maioria das mulheres, em oposição à típica imagem de macho viril que seria de esperar pelas previsões biológicas.
(...)

A importância da interacção
As pessoas são atraídas por aqueles com quem conseguem estabelecer interacções positivas: as pessoas com quem trabalham, com quem partilham os mesmos gostos, atitudes, valores ou histórias de vida. Até as pessoas que interagem mais frequente por mero acaso tendem a gostar mais umas das outras. Um estudo de Festinger, Shachter & Back (1950) realizado numa residência para casais de estudantes mostrou que as amizades tendiam-se a formar entre aqueles que viviam mais perto uns dos outros. Os casais mais populares eram os que viviam nos
apartamentos mais próximos das escadas ou da zona das caixas de correio, onde tinham mais
oportunidade para interagir com os outros casais.
Existem três razões pelas quais gostamos daqueles com quem interagimos. Por um lado, a interacção com os outros permite a percepção de controlo em relação ao mundo, seja através da
partilha de preocupações pessoais com um amigo íntimo (o que contribui para uma melhor compreensão e modo de lidar com o problema) quer quando estamos inseguros de determinadas opiniões ou crenças. Neste caso, procuramos os outros para testar a sua validade. Quando a interacção é recompensadora o resultado é sempre o mesmo: gostamos dessa pessoa. Outra das
razões são os sentimentos de pertença e aceitação que derivam de uma interacção calorosa. Como consequência tendemos a ligar-nos a alguém com quem nos sentimos relacionados. Por fim, outra razão tem a ver com um mero efeito de exposição. Mesmo na ausência de uma interacção real, a familiaridade pode resultar numa sensação de afecto.


A importância da semelhança
A semelhança conduz à atracção também por três razões. Em primeiro lugar, porque tendemos a interagir com quem nos é semelhante: mesma idade, religião, classe social ou interesses. A semelhança torna a interacção mais provável mas também mais positiva visto que as pessoas já têm à partida algo em comum. Em segundo lugar, porque partimos do princípio que os nossos semelhantes vão gostar de nós. Por fim, porque os nossos semelhantes validam as nossas crenças e atitudes. Tendemos a gostar imediatamente das pessoas que partilham opiniões connosco, o que ocorre porque vemos as nossas características como desejáveis, como sendo as mais “correctas”.


O Amor
Algumas relações envolvem sentimentos de paixão (amor passional). Estas emoções podem surgir rapidamente e estão intimamente relacionadas com o desejo sexual.
A paixão constitui um caso especial entre os diversos tipos de atracção interpessoal: a sua intensidade distingue-a facilmente da amizade e de outras formas intermédias de atracção; o seu carácter efémero e vulnerável contrasta com a estabilidade e durabilidade das experiências de
vinculação infantil ou com a aparente continuidade do amor conjugal; a idealização do ser amado parece exclui-la do campo do deve e haver das troca sociais e afectivas.
Segundo a teoria triangular de Sternberg que considera a existência de três componentes no amor (intimidade, compromisso e confiança) podem existir diversos tipos de amor consoante a presença/ ausência entre estes três componentes. A intimidade relaciona-se com os sentimentos e proximidade, de vinculação ao outro (componente predominantemente emocional); a paixão com os impulsos relacionados com o romance, a atracção física e a sexualidade (componente
essencialmente motivacional) e o compromisso com a decisão a curto prazo de que amamos o outro e a longo prazo, com a aceitação do compromisso de continuar a relação (componente cognitivo). É da combinação destes três componentes que resulta a classificação dos diferentes modelos de amor/atracção interpessoal. São eles: a inexistência de amor, o gostar, o amor à
primeira vista, o amor vazio, o amor romântico, o amor conjugal, o amor irreflectido e o amor consumado.

Sexualidade
Várias investigações têm demonstrado que a intimidade sexual está relacionada com uma maior satisfação a nível da relação amorosa. A satisfação sexual encontra-se fortemente relacionada com a satisfação conjugal: os casais satisfeitos praticam sexo mais frequentemente.
Contudo, isto não se reduz à actividade sexual visto que os casais satisfeitos realizam mais actividades em conjunto (desde o desporto à participação em actividades sociais) do que os insatisfeitos. As razões para a insatisfação sexual tendem a diferir entre os sexos. As mulheres insatisfeitas referem a falta de calor, amor e afecto nas suas relações sexuais enquanto que os
homens referem a falta de actividade sexual mais variada e frequente.
(...)


Diferenças de personalidade na vivência da sexualidade
As atitudes das pessoas em relação ao amor e ao sexo são extremamente diversas, variando de acordo com questões culturais e com questões de personalidade. Em muitas sociedades, o amor é visto como algo indesejável sendo que a decisão de casamento deve ser feita apenas com base em critérios económicos. Por sua vez, na sociedade ocidental considera-se que o amor é a base do casamento. Possivelmente por esta razão, é mais frequente que indivíduos americanos relatem experiências de paixão romântica do que os japoneses ou os russos (Sprecher et al., 994)

(...)


As atitudes perante o sexo também diferem. Algumas pessoas seguem uma orientação sócio-sexual restrita, ou seja, procuram sentimentos de intimidade e compromisso relacional antes de iniciarem a actividade sexual enquanto que outras têm uma orientação sócio-sexual não restrita,
ou sejam, vêem o sexo como uma actividade de prazer sem necessidade de compromisso. Estes indivíduos têm atitudes mais permissivas em relação ao sexo e, consequentemente, relatam maior número de relações sexuais ocasionais, maior número de parceiros e desejo de uma maior
variedade sexual.
É também importante o tipo de relação desejada pela pessoa: uma relação a curto ou a longo prazo. Para uma relação a curto prazo tanto homens como mulheres consideram como factor mais importante a beleza. Numa relação a longo prazo, os homens são tão selectivos quanto as mulheres, o que é contraditório relativamente à teoria do investimento parental de Trivers.

in http://sattagis1.dza.fc.ul.pt/~amaral/mais/Palma.pdf
posted by Mikasmokas @ 7/17/2006  
1 Comments:
  • At 20 julho, 2006 21:26, Anonymous Anónimo said…

    Olá,
    Eu sugeria-lhe que adicionasse uma referência ao autor do artigo. Não tenho quaisquer problemas com a referência directa ao ficheiro no meu servidor.

    Cumprimentos,
    ZP

     
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